domingo, janeiro 07, 2007
há muito tempo que não sonhava
O carro azul no meu caminho para casa - repetiu-se no sonho. Preparava-me para dormir, a casa outra, o quarto com portas largas, de vidro, para o interior e para o exterior, que fechava cuidadosamente isolando-me do mundo. Cortinas escuras sobre a transparência; e por uma pequena folga, um rosto de criança. Devia ter uns dois anos, pensei primeiro que era a Ana Rita mas quando abri a porta para que ela entrasse era eu - e agora que escrevo isto penso que é a versão mais simples e confiante de mim mesma a dizer-me para não fugir.
quinta-feira, janeiro 04, 2007
therapy
terça-feira, janeiro 02, 2007
quarta-feira, novembro 15, 2006
M.A.
A luz podia ser como se fosse sempre Junho, se soubessemos editar assim os dias: cheios de pressa e sem tempos mortos (porque passeios solitários em longos corredores e por entre jardins nunca mataram ninguém - com a possível excepção de Rilke), com as músicas todas, iPods e sapatilhas; podíamos continuar de carro por uma estrada fora, sem nunca precisar de conversar; nem sequer era preciso uma história, porque afinal há tão poucas e são se calhar sempre as mesmas, era só mesmo uma luz amarela, como se fosse sempre Junho e cinco e meia da manhã
quarta-feira, novembro 08, 2006
desenvolvimento linear misto
Como nem tudo pode ser piano, também há que chegar ao trabalho: voltaram a mudar o percurso do autocarro. Durante os últimos meses entrava pela porta da frente (ou saía, dependendo do ponto de vista), com o último troço de Fernão Magalhães cheio de árvores. Verifiquei quotidianamente o amadurecimento do verde das árvores, nos últimos dias admirava-lhes os vermelhos; e ia seguindo o desenvolvimento das estações nessas centenas de metros. Regressei agora a Costa Cabral, estreito canal onde tudo acontece desde há séculos: conheço o suficiente da sua lógica para lhe apreciar a justaposição de tipo-morfologias, com o que não me conformo é com o tratamento e intensidade de uso que lhe é dado; com isso e com a falta que daqui em diante me farão as árvores.
terça-feira, novembro 07, 2006

Nem tudo pode ser tango: há também piano em frases surpreendentemente curtas e incisivas. (Será que é o que acontece quando esperamos algo de alguém?) Não fosse ter lido acerca das novas regras que Keith Jarrett se impôs a si mesmo nas apresentações a solo (regras ou liberdades, podemos discutir o assunto) e diria que era eu mesma a projectar-me no discurso, a lê-lo assim, directo e breve, sem demoradas e exaustivas explicações, haiku de sons emaranhados ou absolutamente dançáveis – porque afinal de contas por mais que falemos nunca conseguimos dar-nos a conhecer por completo. Horas e horas para chegarmos a isto: posso não reconhecer Pink Floyd quando os ouço mas pelo menos teremos sempre Keith Jarrett.
domingo, novembro 05, 2006
will I see you tonight
na voz obviamente enferrujada de Tom Waits, tango às quatro da manhã na sala no quarto nas paredes e sussurras-me a música ao ouvido,
so send me off to bed for ever more
segunda-feira, outubro 30, 2006
if anyone needs to ask then I won't

Dezanove e quinze e casa cheia, m. sobe as escadas e falamos cinco minutos até chamarem o foyer à sala; encontramos C., colega de faculdade a quem não via há dois anos. Uma pergunta apenas (lançada sem aviso, é de notar) faz-nos apressar o passo quase sem resposta, faces coradas desmascaradas, e para distrair os sorrisos nervosos encho os tempos de palavras e das notas do barroco - tanta talha dourada só para fugir às perguntas difíceis, enquanto lá por cima nos sobrevoam os anjos papudos de Rafael, troçando.
sexta-feira, outubro 27, 2006
passa a chuva passa a melancolia - já se adivinhava no céu de ontem, nuvens cor-de-rosa antes do céu ficar cada vez mais azul (hei-de procurar as fotos antigas que tinha), já se adivinhava no concerto que de barroco napolitano se transformou em tarantella (a Casa da Música repentinamente taberna), adivinhava-se na casa de ferragens, também ela tasca, aberta para lá das dez da noite, na luz no átrio do Museu Soares dos Reis; adivinhava-se em tua casa, à procura de pó nos armários, a imaginar puxadores nas gavetas, sem me lembrar sequer dos tempos em que me sentia redonda completa contentora serena mãe
quarta-feira, outubro 25, 2006
escolinha

É oficial: acabei de comprar mais um ano. Ou meio, ou um semestre. É oficial e sem desculpas, tudo pesado (o grau académico quase obsoleto, o tempo a faltar-me para o que mais quero, a razão não completamente definida) volto à escola por mais um ano em visitas esporádicas e breves até à prova final. Havemos de nos ver pouco por aí, já sei; e no fim há-de ter valido (ou não) a pena.
quinta-feira, outubro 19, 2006
yo @salamanca

Dois dias apenas em Salamanca (eram originalmente três) ou seja, noutro mundo: foi preciso passar a fronteira (a rede de telemóvel a estender-se pelo território dentro) para saber que havia gente fechada num teatro há dois dias; o céu azul foi sendo substituído pelo temporal, ao mesmo ritmo que os carros abrandavam atrás dos acidentes na auto-estrada. Ao fim do dia (a tarde passada em frente ao computador, como em outro dia qualquer) peguei no Andante e fui para casa, como se fizesse gestos que há muito não repetia.
quinta-feira, outubro 12, 2006
dias longos
Tenho tido dias longos, apesar do pôr do sol ser cada vez mais cedo. Na verdade, não tenho visto muito o sol, ultimamente. Uma comunicação (e três dias fora do escritório) dão nisto: chegar a casa todos os dias depois da meia-noite, umas horas de sono a menos, filmes a chegarem (e a saírem?) sem ter oportunidade de os ver e cinco minutos de vida pessoal despachados por telefone. Felizmente acabei a tempo a camisola, que dará jeito nas noites – parece-me que frias – de Salamanca.
quinta-feira, outubro 05, 2006
domingo, setembro 24, 2006
fall (to)
E para celebrar a entrada da estação, que se anunciou sem cerimónias, passei o fim de semana a chá e antibióticos. Há que ser indulgente com os caprichos do tempo.
fall
Outono em pleno, o que quer dizer antes de mais, que a noite ganha terreno. Começo a preparar-me: mangas da camisola quase prontas, a roupa mais quente à mão. Pelas frinchas das janelas continua a passar o vento. Algo me diz, porém, que o Inverno não será tão frio nem escuro este ano.
domingo, setembro 17, 2006
em tua casa sonho mais
Ficava acordada durante horas, sem outro aparente motivo que não fosse a respiração ao meu lado. Sonhava quase invariavelmente com quartos, com o sono que me escapava; levantava-me para fechar a janela, talvez fosse o contínuo zumbir na auto-estrada que não me deixasse dormir.
Agora a inquietação desce como a temperatura em Setembro.
Agora a inquietação desce como a temperatura em Setembro.
domingo, setembro 10, 2006
when in rome

Duas semanas, que foram até agora uma espécie de prolongamento do intervalo. Não é a primeira vez que o sinto: o mais simples é retomar as responsabilidades do trabalho, equilibrar o tempo que resta é que tem qualquer coisa de arte. Peguei de novo nas agulhas, aprendi quase todas as regras do ténis (muito embora seja muito mais divertido de ver na televisão do que futebol, os comentadores são igualmente inanes) e já corro vinte e cinco minutos seguidos.
Só agora sinto que daqui em diante é que vai ser a sério.
Subscrever:
Mensagens (Atom)



