terça-feira, maio 16, 2006

É assim que sabemos que estamos vivos: não compreendemos.
Philip Roth, Pastoral Americana

domingo, maio 14, 2006



É claro que aquele grãozinho virulento iria perder aos poucos a potência, iria desvanecer-se, dissolver-se em nada, ou antes, iria transforma-se numaporção de tecido identificável mas inofensiva. Neste momento, porém, bastaria uma ligeira alteração nas partículas que determinam os acontecimentos para que ela se achasse longe dali (...)


Iris Murdoch, O Bom Aprendiz

sexta-feira, maio 12, 2006

Aparentemente nada mudou: só um deslocamento súbito do eixo em torno do qual o mundo gira. Solavanco e tempo de habituação – que continua. Tinha esquecido que as palavras são gestos feitos à distância e lembraste-mo como se devolvesses a minha imagem num espelho.

sábado, abril 22, 2006



Por vezes passa o dia inteiro sem comer. Preocupo-me - o jejum lembra-me o tempo em que brincava com traços brancos sob a pele. Perguntei-lhe se achava que era Sarah Morton. Disse-me que não, sabia perfeitamente quem era. Perguntei-lhe se imaginava que a frugalidade a tornaria capaz de voar. Sorriu. A partir de então, nesses dias, passei a verificar as janelas.

again and again and again

terça-feira, abril 18, 2006

green



Não é de mim nem de agora: a cidade tem uma cor nova, acabada de nascer. É o verde mais primaveril de que me lembro; mas pode ser a memória a enganar-me, depois de um ano de seca. Espero que o próximo fim de semana permita os meus passeios; entretanto vou amanhã ao Algarve e já volto. Até já.

sexta-feira, abril 07, 2006

postal ilustrado

Estou aqui há dois dias, se calhar chego antes deste postal. Mas como estou longe tenho um pretexto para escrever as coisas que não tenho oportunidade de te dizer quando aí estou – e não ter oportunidade de as dizer é já sintoma bastante. A distância ajuda e a síntese a que o tamanho do postal me obriga também. Há uma divisão entre a razão e os afectos que não me deixa ser clara; há desejos a turvarem tudo. Quis agir como se eles não existissem, mas não parece possível; não é fácil gerir o que tem acontecido – se é que se pode considerar a distância um acontecimento. Fica tudo dito no espaço que tenho – que sinto ser cada vez menos – e não espero que me dês resposta. Não espero que faças seja o que for – embora, e que fique bem claro, o deseje profundamente.
Post-scriptum: cortei o cabelo.

sábado, abril 01, 2006

bittersweet

Felizes encontros inesperados:
sinto os olhos manchados do cansaço e da falta de sono. Na véspera tudo em mim era tensão cromática - laranja e azul eléctrico.
Ao afastar-me do primeiro o sorriso deu lugar à incerteza; no segundo o meu silêncio ocupou o lugar do contentamento. «Quando é a nossa opaca presença física a estabelecer o contacto...» Entretanto descubro no espelho que passei alheada a muitos outros encontros inesperados. Dizem-me que tenho os olhos grandes e afinal descubro que só os uso para fitar - ao longe.

segunda-feira, março 27, 2006

ilusão

(do Lat. illusione)
s. f.,
engano dos sentidos ou da inteligência;
errada interpretação de um facto;
pensamento quimérico;
coisa efémera;
utopia;
fantasia;
efeito artístico que produz ou procura produzir a impressão da realidade.

mudaram a cor aos dias

o que significa que vem aí o tempo dos vestidos, o sol enganador a criar quimeras e a fazer crer que tudo, mas tudo, é possível; não me engano, a Primavera tem este hábito de me derrubar sem compaixão. Pode andar escondida em cinzentos que eu conheço-lhe já os truques, sei o que anuncia, e até Setembro ou Outubro andarei seduzida pela efémera beleza das ilusões.

terça-feira, março 14, 2006

domingo, março 12, 2006

Beware the ides of March*



As minhas deambulações levaram-me hoje à rua onde fui, há semanas atrás, ver uma casa. A rua estava calma (é uma rua calma, com árvores, embora estas não atinjam o troço onde se localiza o prédio), pouca gente se via passar. Ao fundo, a Praça das Flores; bem perto, as vendedoras de flores à porta do Prado do Repouso. Com o sol, que devia inundar os quartos virados a Poente, todas as outras coisas recuaram em importância: as obras, o tempo necessário para elas (que não sei quanto possa ser), a idade do prédio. Os dias de sol são perigosos, fazem-nos esquecer as prudências.

*Citação de Júlio César, da crónica de João Bérnard da Costa, no Público de hoje

terça-feira, março 07, 2006

ter razão


(pequeno ensaio sobre a democracia depois de "Good Night, and Good Luck")

O que mais me impressionou no filme não foi a reconstituição milimétrica, a filmagem sempre em set, a saturação de jazz (mas não te preocupes - não era um musical), ou sequer a inteligente utilização das "verdadeiras" imagens televisivas (como se tudo não fosse ficção); nem as múltiplas leituras do filme, desde o medo a condenar direitos que se consideram inalienáveis à derrocada da caixa que mudou o mundo; não foi o olhar de David Strathairn ou a forma como dizia a frase final (e que não consegui perceber se de um pessimismo ou optimismo desesperado); o que mais me impressionou e chocou foi que no fim, até um homem como William Paley, que não abandonou Murrow durante o confronto com o Senador Junior de Winsconsin, se rendeu à força mole do desejo de entretenimento e das audiências. É o que mais me assusta - que a maioria das pessoas acabe então por ter razão.

domingo, fevereiro 26, 2006

:D

Esta semana passou tão rapidamente que não me deixou tempo sequer de vir contar as boas notícias.
As boas notícias têm a ver com um quadro. Não uma tela, nada de físico; é a diferença entre poder estar doente ou não. Entre poder ser dispensada no dia seguinte ou não. E, eventualmente, entre poder ter um empréstimo para a tal casa - ou não. Para todos os efeitos, a partir de Fevereiro sou efectiva na empresa, tenho direito a subsídios de refeição, a horas extraordinárias, a férias. Não tenho que me lembrar todos os meses de pagar a segurança social. Posso deixar os recibos verdes na gaveta. Por tudo o que isso significa - e pelo que diz da forma como o meu trbalho está a ser recebido - o título, ali em cima, justifica-se em absoluto.

terça-feira, fevereiro 14, 2006

spt


"cotton underware that has been washed a thousand times..."
(Nick Hornby, High Fidelity)

domingo, fevereiro 12, 2006

se calhar tens saudades das magnólias

corners of my home



Não é bem um canto (que em minha casa quase não os há), mas antes um lugar onde a luz cai. Pelo menos agora, que os dias começam a conhecer-se e o sol a passear num ângulo mais alto, e a sala deixa de ter a melancolia das tardes de inverno. Quase não sinto a urgência de encontrar outra casa.

Other corners here

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

uma casa



Procurar uma casa é tarefa demorada; já o sabia e esse desgaste era uma das maiores resistências quando chegava a hora de tomar a decisão. Ainda agora comecei e já questiono a minha persistência: mesmo com todos os filtros do mundo as visitas acabam sempre em grandes desilusões. Só uma me interessou a ponto de ter que apelar a toda a minha racionalidade para não a comprar: era um sexto andar na Rua da Boavista, sem vizinhos e com muito sol. Tinha a cozinha num armário. Outra pela qual quase me apaixonei (e apenas em fotografia): um mezzanino a fazer de quarto, um terraço, uma clarabóia enorme. Era uma casa, casa mesmo, com solo debaixo de mim, não uma fracção. Está reservada e esforço-me por lhe elencar os defeitos: três metros e meio de largura, pouco mais de 50 de área. Ainda sim consigo perceber o que me move: a luz.

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

árvores


No caminho para o trabalho há apenas uma magnólia tardia; tenho perdido o fulgor das árvores. Contento-te com as camélias frágeis a enfeitar os topos dos muros e com as manhãs de domingo pelas ruas mais bonitas do Porto, até erguer os olhos e ficar - uma vez mais - assombrada pala estranha beleza das grandes flores brancas nos ramos nus.

domingo, fevereiro 05, 2006

domingo



Luz e sombra, os caminhos de Serralves quase vazios. (Nos ouvidos: Forbidden Colours, Sakamoto). Entre Thomas Hirschhorn e Ignasi Aballí vai um mundo de distância, medido pela quantidade de objectos. Nos jardins reencontro Ângelo de Sousa, e acabo por não fazer a via sacra de Richard Serra para te encontrar à entrada. O resto - é sol.




sexta-feira, fevereiro 03, 2006

hábitos

Apanhada pela Sónia em cinco hábitos estranhos:
- comer massa crua;
- arrumar a louça na banca ANTES de a lavar;
- ficar meia hora na cama antes de me levantar. Isto obriga-me a pôr o despertador um bocado mais cedo do que o absolutamente necessário; para não estar a desligá-lo de nove em nove minutos passei a usar a versão rádio (e a ligar o despertador no telemóvel). O cúmulo disto é que já cheguei a ouvir uma missa quase inteira antes de estender o braço para desligar a coisa;
- escrever um monte de coisas na agenda do género "ir ao supermercado" ou "passar roupa" (a lista de supermercado escrevo-a noutro caderno). Só pode significar que sou ou muito distraída ou muito preguiçosa - depois de ver o ponto anterior, acho que deve ser mesmo preguiça;
- ir para a cama às onze da noite (e no inverno, com uma botija de água quente).

Continua:
Aurelia
Saudades do Futuro
Uma vida por escrever
Livro em Flor
Tricot e tal

domingo, janeiro 29, 2006

hurry up spring warmers



Dizem que está frio lá fora, por isso nem para um café saí: acabei bem depressa as minhas novas mitaines e estou a escrever apenas com as pontas dos dedos de fora. O aquecedor está ligado há horas e mesmo assim está frio. Outra coisa que eu não quero na minha próxima casa: prédios a taparem o sol (e a estragarem-me as fotografias).

sábado, janeiro 28, 2006

house hunt


Já imaginava que a primeira casa que ia ver não seria a última. Estas visitas vão obrigar-me a pensar o que quero de uma casa. Luz; espaço, algum (mais do que o que agora tenho); transportes perto que o carro é sempre uma decisão adiada. Um café, uma padaria, um quiosque nas redondezas. O que não quero: marquises, tijoleira, cilindro. Uma vista para as traseiras de outros prédios; um terraço para o interior de um quarteirão. Não sei se encontrarei a melhor casa (já que a casa dos meus sonhos nem a vou procurar) e espero não me manter eternamente à espera dela; às vezes o melhor nunca chega, é só uma desculpa para não avançar.

sexta-feira, janeiro 27, 2006

deve haver um sítio onde nascem as decisões



Começo a deitar contas à vida; a imaginar as cores de paredes que nem sei sequer ainda onde são, a pensar em coisas práticas e comezinhas (ou nem tanto): um forno para bolos (ou para os scones da Joana), sofá cama para as visitas, espaço para conversas; o sofá em frente à janela, a televisão pequena a um canto. Luz. Deve haver um sítio onde estas coisas se começam a formar, a mim acontecem-me no escuro, quando ando mais calada, metida comigo mesma; quando me começam a perguntar o que tenho.

terça-feira, janeiro 24, 2006

I do not wish him to great, but merely to be lucky

fui ver o filme do Woody Allen. Irritou-me. A mim não: nem sequer me incomodou a ironia de ver os maus actos bem recompensados. O que se faz não tem por fim a recompensa (seremos porventura focas amestradas?) e o o resto é pouco menos do que caos.

terça-feira, janeiro 17, 2006

«I loved Ophelia, forty thousand brothers
Could not with all their quantity of love
Make up my sum...»

(William Shakespeare's Hamlet, Act V, Scene 1)


Ophelia, de John Everett Millais
Fonte: The Ophelia Page

segunda-feira, janeiro 16, 2006

coffee break


O que eu mais precisava, agora: de um tempo de pausa para respirar fundo, aclarar ideias, tomar decisões. E mantê-las.

terça-feira, janeiro 10, 2006

new year's resolutions


(ou objectivos, ou...)
Não tenho o hábito de fazer resoluções de ano novo, ou sequer de fazer balanços. Quanto aos desejos, estão espalhados por todos os dias. Mas quando vi esta lista pensei em fazer uma para mim: como uma espécie de âncora a coisas mais largas do que as tarefas que me ocupam quotidianamente. Comecei a escrevê-la na primeira página do ano, e é um work in progress: tenho a certeza que riscarei coisas e acrescentarei muitas mais. Coisas para melhorar o ano?

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Um colóquio na CCDR, um telefonema (depois de muita ponderação), Csa da música até fechar e uma despedida com um sorriso: "um bom ano, teresa" - um bom ano.

segunda-feira, janeiro 02, 2006

domingo, janeiro 01, 2006

sábado, dezembro 31, 2005

2005


Não é bem um balanço mas antes uma nova superstição (tão válida como ser uma retrosaria em Cedofeita): fazer ou aprender uma coisa nova.

sexta-feira, dezembro 30, 2005

era uma vez um cinema


Que fecha por falta de público, dizem. Que a quebra no último ano foi de 40%, ao que parece. Este ano devem contar-se pelos dedos de uma mão (e quantos sobram?) as vezes que lá vi cinema. E, no entanto, antes só não ia lá todas as semanas porque os filmes ficavam quase sempre mais tempo. Porquê? Porque os filmes que estavam em cartaz tinha-os visto no Cidade do Porto (onde tinham estreado) duas semanas antes. Porque um dos filmes que lá esteve nas últimas semanas tinha um título como "Rapaz com cão procura namorada com coração" (exemplo perfeito de miscasting). Houve um esvaziamento (deliberado?) da programação para aquele espaço, cujo resultado só poderia ser este. Não me interessa fazer luto ou luta por cinemas aos quais não vou por desinteresse, mas saber ver as razões porque desaparecem.

terça-feira, dezembro 27, 2005

domingo, dezembro 25, 2005

see you next year

A sala está um caos, entre brinquedos e restos de papel; o Pai Natal continua real (eu vi-o!!!); e eu estou quase pronta para voltar à rotina e para descansar dos meus Xmas Scarfs, levando música comigo.

domingo, dezembro 18, 2005

Santa was here earlier


Começou oficialmente a época dos jantares de Natal; significa que depois de dois meses a reunir embrulhos começa a altura de os distribuir.

sábado, dezembro 17, 2005

terça-feira, dezembro 13, 2005

Broken Flowers


(Dizem que Sharon Stone está mais bela do que nunca - deve ser coisa de gajos.)

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Menos é menos. Mais é mais.

É o título de um dos textos de Thomas Hirschhorn e a antítese de um dos refrões mais propagados do Movimento Moderno. Hirschhorn espalha os textos em folhas amontoadas; aos mais tímidos assegura com um breve "Pegue e Leve". Utiliza o conceito de economia de escala no que expõe; diz que não o faz para nos afogar, mas é quase impossível, ao fim de duas horas, continuar a individualizar cada objecto no meio da overdose de estímulos visuais. Não há lugar a despojamentos estéticos; tudo é importante e assume-se tal como é. Há agressividade e violência nisto, mas começo a acreditar que não pode ser de outra forma. Há sempre violência no acto de nos afirmarmos; no facto de ser.
Lembra-me o Roark de "The Fountainhead". Lembra-me o que procurei no livro: ser não como arrogância, mas como simples constatação de um facto.

quinta-feira, dezembro 01, 2005

rainy holiday


Choveu todo o dia, deve ter sido por isso que o meu vizinho de cima preferiu ficar em casa com o seu trombone em vez de ir para uma das salas de ensaio da ESMAE. Estou a ouvi-lo há quatro horas e meia e neste momento advogo ardentemente a erradicação de músicos e artistas em formação.

3 1/2 to Xmas ou "mentir ou não mentir, eis a questão"

No Verão passado, a minha sobrinha (7 anos) sentou-se num dos braços da cadeira onde eu tricotava e perguntou-me se "o Pai Natal existe mesmo". O irmão dela ouviu as palavras mágicas e pendurou-se no outro braço da cadeira. Senti-me completamente encurralada. Tentei escapar-me com um clássico: uma pergunta para responder a outra. «O que é que tu achas?»
- Não. Diz-me tu.
Tinha os olhos deles a analisarem-me as hesitações e um dilema moral de não somenos importância: ou mentia explicita e descaradamente (não sei porquê, mas parece-me muito diferente de tocar à campainha vestida de vermelho com uma barba e uma almofada a fazer de barriga) ou acabava ali mesmo com a fantasia.
- Claro que existe! Então ele não veio cá a casa o ano passado? Não o viste?
- Mas há umas meninas da minha escola que dizem que ele não existe...
- É porque se portaram mal e não receberam prendas. Vais ver como ele aparece outra vez este ano.

A minha irmã contou-me entretanto que o Henrique já anda a ver "a sombra do Pai Natal" lá por casa. A Catarina, por seu lado, resolveu guardar para o Natal todas as coisas que lhe parecem mais caras, para que os pais não gastem dinheiro. Este ano parece que ainda nos safamos. E não, não estou nada arrependida.

segunda-feira, novembro 28, 2005

accelerate

ias ficar tão orgulhoso de mim
hoje ultrapassei o limite de velocidade na auto-estrada

domingo, novembro 27, 2005

4 1/2 to Xmas

buy nothing

Ontem foi o Buy Nothing Day. Há uns anos ainda via alguns panfletos ou cartazes a chamar a atenção para a iniciativa; este ano soube-o apenas um dia depois. Não sei se comprar lãs também conta, nem é pelos meus novelos que me sinto uma fura-greves. Aliás, nem tenho a certeza que um Dia sem Compras não seja a mesma coisa do que o famoso Dia sem Carros: uma iniciativa demagógica para acalmar as boas consciências. No que diz respeito a este consumismo, como em tudo o resto, guio-me pelo bom senso; a única dúvida que subsiste é se o meu bom senso faz alguma diferença na contabilidade geral do mundo.
(E também não será este ano que farei um Buy Nothing Xmas.)

tasca do engenheiro (2)


É aqui

sábado, novembro 19, 2005

sábado

No fim de semana a cidade queixa-se da falta de carros; por isso as manhãs de sábado são sempre molhadas e cinzentas. Na rua as pessoas começam a amontoar prendas de natal; e nos jardins do Palácio de Cristal encontro camélias e, sobretudo, um ácer japonês de folhas vermelhas. O silêncio não parece tão grave, assim. Indago as razões que me levam a não fugir: para a Prelada, para Paris.

quinta-feira, novembro 17, 2005

a tasca do engenheiro


Em, Mourão, onde se ouve o silêncio, há uma "venda" de paredes caiadas de branco, onde se amontoam objectos (o caos uma ordem por decifrar), e nos sentamos em bancos toscos de madeira e ouvimos música clássica enquanto esperamos pela sopa de cação.

quarta-feira, novembro 16, 2005

9 1/2 to Xmas


Esta foi a última fotografia de um dia longo: quatro horas de carro até ao Alqueva (uma manhã fria - mas não muito - no Porto), panorâmica em Monsaraz (rodeada de água), visualização de um projecto no terreno, sopa de cação na "Tasca do Engenheiro" (e como este espaço seria um sucesso instantâneo no Porto), reunião de Câmara em Mourão e outras quatro horas até casa. A fotografia é de uma rua em Mourão: está meio escondida, mas enquadra perfeitamente a silhueta da fortaleza. Um urbanista não faria melhor.

domingo, novembro 13, 2005

sábado, novembro 05, 2005

um post para a Joana


A leitura é fácil, quase easy-reading (não confundir com literatura light); talvez haja quem fique pelo romance, pelo enredo; quem procure o pensamento filosófico que lhe dá o mote; quem apenas procure o fio de uma meada que ficou para trás.
O conteúdo é ideológico, o livro é um veículo para a exposição de uma teoria. O individualismo contra o colectivismo; registo o ano, 1943, a origem da Ayn Rand, russa; e passo à frente. Registo também a referência, no discurso final de Roark, ao país cujo mote é a «procura incessante da felicidade»; as buscas que faço sobre Objectivismo levam-me ao "capitalismo laissez-faire" como sistema político-económico ideal. Deixo tudo isso para trás, o que significa abandonar os meus próprios preconceitos. O que encontrei no livro foi o que não consegui explicar ao ver o filme: Dominique e a natureza da sua relação com Roark.
(Estranho, ou talvez não: raramente me lembrei de arquitectura enquanto lia.)
Quanto a Roark, lembra-me uma música dos Clã:
Tu nunca choras ao ver sangue
Tu nunca ficas transparente


Para saber mais:
Ayn Rand
Objectivismo

quinta-feira, outubro 27, 2005

you are here (2)


Keith Jarrett, Koln Concert (Part I)

you are here


Foto: Google Earth

Köln ([kœln]; Kölsch: Kölle) is, in terms of population, the fourth largest city in Germany and the largest city of the German Federal State of North Rhine-Westphalia. It is best known for its Cathedral, its uniquely brewed Kölsch beer, the original Eau de Cologne, and its celebration of Carnival and Christopher Street Day.
It is one of the most important German inland ports, and considered to be the economic, cultural, and historic capital of the Rhineland. It is the 16th largest city in the European Union. In June 2005, Cologne's population was 975,907, using the standard method of only counting persons whose primary residence (German: Hauptwohnsitz) was in the city. The City of Cologne includes those with non-primary residences (German: Nebenwohnsitz) in its figure, raising it to 1,022,627 (31 December 2004).
Its location at the intersection of the river Rhine (German: Rhein) with one of the major trade routes between eastern and western Europe was the basis of Cologne's commercial importance. In the Middle Ages it also became an ecclesiastical centre of significance and an important centre of arts and education. Cologne was devastated by Allied air raids the Allies during World War II, by the end of which 99% of Cologne's Jewish population had been annihilated.

fonte: Wikipedia

domingo, outubro 23, 2005

domingo, noite

As duas últimas noites foram longas; não digo surpreendentes porque nada houve nelas que mereça tal adjectivo - apenas talvez a sua existência, a repetição do seu início. Deitei-me tarde e ressenti-me disso; no entanto deixei o telemóvel ligado para sentir, ao adormecer, que as prolongava mais um pouco; que lhes permitia a continuação, ainda que apenas não mais do que em fantasia. On / Off não tem nada a ver com aparelhos electrónicos.

domingo, manhã


Acordar com dois dígitos no despertador; fazer um chá e arrumar o meu seven wishes jacket, o meu cherry-lipstick; desembrulhar o novo livro (porque continuo a querer questionar a natureza da minha afeição por certas coisas); lembrar a viagem nocturna no Peugeot 403, o jantar, e ainda o concerto de sexta feira (a minha estreia na sala 1 e uma reconciliação com a música contemporânea); mais do que de descanso o domingo torna-se dia de sonho e fantasia, como que para suportar a aridez dos dias que vêm (hoje que o frio parece ter finalmente chegado).

sábado, outubro 15, 2005

influenza

Comecei a sentir o primeiros sintomas a meio da tarde: o calor nas faces, os olhos vidrados. Um ligeiríssima febre - a recordar-me as febres cerebrais de que padeciam quase todas as heroínas dos romances do século XIX com que me formei, tanto como com os filmes de Hollywood dos anos 40 e 50. Ao fim do dia a cabeça latejava; talvez por não querer incorrer em nenhum pecado mortal, resolvi diagnosticar-me a mim mesma uma pequena gripe e a ela endossar a anterior melancolia.

quinta-feira, outubro 13, 2005

the fountainhead (2)

Saí da sala, calei-me, e calei-me - não sei se será da chuva, mas a melancolia parece ter chegado à cidade...

No entanto não posso dizer com clareza qual a razão pela qual o filme despertou esta vaga sensação; há alguma coerência entre a melancolia em si e a sua fonte difusa.

segunda-feira, outubro 10, 2005

vontade indómita

ele disse:
é o filme mais lindo

eu cozinhei o jantar
pintei as pestanas pus vermelho nos lábios
e deixei-me quieta no sofá