sexta-feira, agosto 04, 2006

segundas, quartas e sextas

A partir de hoje não estarei ocupada segundas, quartas e sextas das sete às oito e vinte.
Ao fim de oito anos parecerá talvez estranho; se não tanto agora. Pelo menos em Setembro, quando regressar às rotinas. Foram estas horas que me tornaram (quase) irreconhecível (agora eu digo: «sou tão simples»; e tu respondes: «nunca pensei ouvir-te dizer-te isso»). As despedidas de hoje marcam tanto o fim de uma era como o início de qualquer coisa; entretanto faltam apenas dois dias para a minha viagem, espécie de lua-de-mel comigo mesma.

domingo, julho 30, 2006

vacation planning



Bilhete de avião já tenho; reserva no hotel também. (Bem no centro da Damrak, entre a Centraal Station e a Dam.) Já tenho o guia para planear (e para me ajudar a aguentar os dias que faltam) e um monte de recomendações. Desde quinta feira que o gozo da antecipação tomou conta de mim; gozo e ansiedade. É a primeira vez que faço uma viagem sozinha, em escolha própria e sem condicionamento. O ano passado, em Londres, serviu como aquecimento: a Joana estava lá para me receber de braços abertos.
Ir a Amesterdão desta forma é muito mais do que uma simples viagem; é também uma espécie de emancipação.

sexta-feira, julho 28, 2006

bestemming amsterdam


Actualizações e pormenores até dia 6. Para já posso dizer que ter um bilhete de avião na mão me faz muito mais feliz.

quinta-feira, julho 20, 2006

have a nice weekend


The Clash, Train in Vain (Stand by Me)

Em caso de neura, limpar a casa e ouvir The Clash. Resulta sempre.

arqueologia*


«Às vezes acho que o corpo devia guardar marcas [visíveis] de todas as coisas importantes que nos tivessem acontecido.»

gelo

Não estão os 35º do fim de semana; no entanto só quero enfiar-me em gelo. (Há um incêndio a devastar tudo em redor - ou é só o cansaço acumulado a fazer-me fechar os olhos?) E enquanto pergunto encontro em mim a resposta e descanso.

quinta-feira, julho 06, 2006

memória

As memórias são coisas estranhas: editamo-las como falsas fotografias em que queremos acreditar, ou deixamo-las latentes e subterrâneas durante muito tempo. Eu, por exemplo, descobri em mim memórias tuas que não sabia que tinha: chegares uma vez debaixo de chuva para me ajudares a escolher uns óculos; ou antes, muito antes (não sabia ainda o teu nome) ver-te desenhar, a mão nunca apoiada no papel, sentado à minha frente nas mesas grandes da biblioteca velha da faculdade.

sexta-feira, junho 30, 2006

fim de semana



De partida para o sopé da Serra: hora marcada entre as oito e meia e a uma da manhã. Uma lista de coisas para levar: a Ilíada ou Ruskin? Saco-cama ou lençóis? (Onde me vais deixar a dormir?) Actividades programadas: futebol, Carcassonne e uma reunião de obra com cinco arquitectos a discutir um muro. De volta segunda-feira.

quarta-feira, junho 21, 2006

solstício, outra vez

o céu a esta hora está azul, escuro; o melhor do solstício é o prolongamento desta cor. lá para oeste a cor é ainda mais clara. já não me lembro do sonho, e talvez não seja preciso: outras coisas como pequenos seixos vão preenchendo os espaços em branco.

terça-feira, junho 20, 2006

rol:

- Cinco lápis: dois têm a assinatura de Miró (um é de grafite e com o outro posso escrever a amarelo, verde, cor-de-rosa e lilás), um a de Picasso; outro é cinza escuro (e pesado), e tem escrito Museu Picasso a preto; o último é um lápis de desenho 6B.
- Um marcador de livros com uma imagem de Dona i Ocelli I, de Miró.
- Um cartaz com uma reprodução de Le Visage de la Paix, de Picasso.
- As Asas do Desejo.

quinta-feira, junho 08, 2006

comment

Há uma fotografia por publicar mas o Blogger não se tem mostrado muito cooperante ultimamente. O título do post deveria ser “no comment” (ou ainda: fui eu que fiz) e seria muito mais simples publicá-la do que juntar palavras para ilustrar o que têm sido os últimos dias. Não vou dizer que nada mudou, porque de certa forma continuo estupefacta com tudo o que tem acontecido. Mas ninguém – olhando de fora – poderia dizer o que mudou, ou mesmo que algo tenha sequer mudado.
O tempo das especulações passou: quando a confirmação é diferida, os murmúrios morrem por si. Por isso, o meu sorriso vive agora a coberto das palavras, e é à recusa de outrora que o devo.

segunda-feira, maio 29, 2006

rol de um dia feliz

- acordar cedo para descer o rio, sol a pino temperado por quedas e rápidos;
- (umas sandálias novas compradas em segredo por uma conspiração de colegas);
- preguiça ao fim da tarde depois de horas de esforço físico;
- uma mensagem tua, doze minutos antes da meia-noite.

terça-feira, maio 16, 2006

É assim que sabemos que estamos vivos: não compreendemos.
Philip Roth, Pastoral Americana

domingo, maio 14, 2006



É claro que aquele grãozinho virulento iria perder aos poucos a potência, iria desvanecer-se, dissolver-se em nada, ou antes, iria transforma-se numaporção de tecido identificável mas inofensiva. Neste momento, porém, bastaria uma ligeira alteração nas partículas que determinam os acontecimentos para que ela se achasse longe dali (...)


Iris Murdoch, O Bom Aprendiz

sexta-feira, maio 12, 2006

Aparentemente nada mudou: só um deslocamento súbito do eixo em torno do qual o mundo gira. Solavanco e tempo de habituação – que continua. Tinha esquecido que as palavras são gestos feitos à distância e lembraste-mo como se devolvesses a minha imagem num espelho.

domingo, maio 07, 2006