segunda-feira, fevereiro 06, 2006

árvores


No caminho para o trabalho há apenas uma magnólia tardia; tenho perdido o fulgor das árvores. Contento-te com as camélias frágeis a enfeitar os topos dos muros e com as manhãs de domingo pelas ruas mais bonitas do Porto, até erguer os olhos e ficar - uma vez mais - assombrada pala estranha beleza das grandes flores brancas nos ramos nus.

domingo, fevereiro 05, 2006

domingo



Luz e sombra, os caminhos de Serralves quase vazios. (Nos ouvidos: Forbidden Colours, Sakamoto). Entre Thomas Hirschhorn e Ignasi Aballí vai um mundo de distância, medido pela quantidade de objectos. Nos jardins reencontro Ângelo de Sousa, e acabo por não fazer a via sacra de Richard Serra para te encontrar à entrada. O resto - é sol.




sexta-feira, fevereiro 03, 2006

hábitos

Apanhada pela Sónia em cinco hábitos estranhos:
- comer massa crua;
- arrumar a louça na banca ANTES de a lavar;
- ficar meia hora na cama antes de me levantar. Isto obriga-me a pôr o despertador um bocado mais cedo do que o absolutamente necessário; para não estar a desligá-lo de nove em nove minutos passei a usar a versão rádio (e a ligar o despertador no telemóvel). O cúmulo disto é que já cheguei a ouvir uma missa quase inteira antes de estender o braço para desligar a coisa;
- escrever um monte de coisas na agenda do género "ir ao supermercado" ou "passar roupa" (a lista de supermercado escrevo-a noutro caderno). Só pode significar que sou ou muito distraída ou muito preguiçosa - depois de ver o ponto anterior, acho que deve ser mesmo preguiça;
- ir para a cama às onze da noite (e no inverno, com uma botija de água quente).

Continua:
Aurelia
Saudades do Futuro
Uma vida por escrever
Livro em Flor
Tricot e tal

domingo, janeiro 29, 2006

hurry up spring warmers



Dizem que está frio lá fora, por isso nem para um café saí: acabei bem depressa as minhas novas mitaines e estou a escrever apenas com as pontas dos dedos de fora. O aquecedor está ligado há horas e mesmo assim está frio. Outra coisa que eu não quero na minha próxima casa: prédios a taparem o sol (e a estragarem-me as fotografias).

sábado, janeiro 28, 2006

house hunt


Já imaginava que a primeira casa que ia ver não seria a última. Estas visitas vão obrigar-me a pensar o que quero de uma casa. Luz; espaço, algum (mais do que o que agora tenho); transportes perto que o carro é sempre uma decisão adiada. Um café, uma padaria, um quiosque nas redondezas. O que não quero: marquises, tijoleira, cilindro. Uma vista para as traseiras de outros prédios; um terraço para o interior de um quarteirão. Não sei se encontrarei a melhor casa (já que a casa dos meus sonhos nem a vou procurar) e espero não me manter eternamente à espera dela; às vezes o melhor nunca chega, é só uma desculpa para não avançar.

sexta-feira, janeiro 27, 2006

deve haver um sítio onde nascem as decisões



Começo a deitar contas à vida; a imaginar as cores de paredes que nem sei sequer ainda onde são, a pensar em coisas práticas e comezinhas (ou nem tanto): um forno para bolos (ou para os scones da Joana), sofá cama para as visitas, espaço para conversas; o sofá em frente à janela, a televisão pequena a um canto. Luz. Deve haver um sítio onde estas coisas se começam a formar, a mim acontecem-me no escuro, quando ando mais calada, metida comigo mesma; quando me começam a perguntar o que tenho.

terça-feira, janeiro 24, 2006

I do not wish him to great, but merely to be lucky

fui ver o filme do Woody Allen. Irritou-me. A mim não: nem sequer me incomodou a ironia de ver os maus actos bem recompensados. O que se faz não tem por fim a recompensa (seremos porventura focas amestradas?) e o o resto é pouco menos do que caos.

terça-feira, janeiro 17, 2006

«I loved Ophelia, forty thousand brothers
Could not with all their quantity of love
Make up my sum...»

(William Shakespeare's Hamlet, Act V, Scene 1)


Ophelia, de John Everett Millais
Fonte: The Ophelia Page

segunda-feira, janeiro 16, 2006

coffee break


O que eu mais precisava, agora: de um tempo de pausa para respirar fundo, aclarar ideias, tomar decisões. E mantê-las.

terça-feira, janeiro 10, 2006

new year's resolutions


(ou objectivos, ou...)
Não tenho o hábito de fazer resoluções de ano novo, ou sequer de fazer balanços. Quanto aos desejos, estão espalhados por todos os dias. Mas quando vi esta lista pensei em fazer uma para mim: como uma espécie de âncora a coisas mais largas do que as tarefas que me ocupam quotidianamente. Comecei a escrevê-la na primeira página do ano, e é um work in progress: tenho a certeza que riscarei coisas e acrescentarei muitas mais. Coisas para melhorar o ano?

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Um colóquio na CCDR, um telefonema (depois de muita ponderação), Csa da música até fechar e uma despedida com um sorriso: "um bom ano, teresa" - um bom ano.

segunda-feira, janeiro 02, 2006

domingo, janeiro 01, 2006

sábado, dezembro 31, 2005

2005


Não é bem um balanço mas antes uma nova superstição (tão válida como ser uma retrosaria em Cedofeita): fazer ou aprender uma coisa nova.

sexta-feira, dezembro 30, 2005

era uma vez um cinema


Que fecha por falta de público, dizem. Que a quebra no último ano foi de 40%, ao que parece. Este ano devem contar-se pelos dedos de uma mão (e quantos sobram?) as vezes que lá vi cinema. E, no entanto, antes só não ia lá todas as semanas porque os filmes ficavam quase sempre mais tempo. Porquê? Porque os filmes que estavam em cartaz tinha-os visto no Cidade do Porto (onde tinham estreado) duas semanas antes. Porque um dos filmes que lá esteve nas últimas semanas tinha um título como "Rapaz com cão procura namorada com coração" (exemplo perfeito de miscasting). Houve um esvaziamento (deliberado?) da programação para aquele espaço, cujo resultado só poderia ser este. Não me interessa fazer luto ou luta por cinemas aos quais não vou por desinteresse, mas saber ver as razões porque desaparecem.

terça-feira, dezembro 27, 2005

domingo, dezembro 25, 2005

see you next year

A sala está um caos, entre brinquedos e restos de papel; o Pai Natal continua real (eu vi-o!!!); e eu estou quase pronta para voltar à rotina e para descansar dos meus Xmas Scarfs, levando música comigo.

domingo, dezembro 18, 2005

Santa was here earlier


Começou oficialmente a época dos jantares de Natal; significa que depois de dois meses a reunir embrulhos começa a altura de os distribuir.

sábado, dezembro 17, 2005

terça-feira, dezembro 13, 2005

Broken Flowers


(Dizem que Sharon Stone está mais bela do que nunca - deve ser coisa de gajos.)

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Menos é menos. Mais é mais.

É o título de um dos textos de Thomas Hirschhorn e a antítese de um dos refrões mais propagados do Movimento Moderno. Hirschhorn espalha os textos em folhas amontoadas; aos mais tímidos assegura com um breve "Pegue e Leve". Utiliza o conceito de economia de escala no que expõe; diz que não o faz para nos afogar, mas é quase impossível, ao fim de duas horas, continuar a individualizar cada objecto no meio da overdose de estímulos visuais. Não há lugar a despojamentos estéticos; tudo é importante e assume-se tal como é. Há agressividade e violência nisto, mas começo a acreditar que não pode ser de outra forma. Há sempre violência no acto de nos afirmarmos; no facto de ser.
Lembra-me o Roark de "The Fountainhead". Lembra-me o que procurei no livro: ser não como arrogância, mas como simples constatação de um facto.

quinta-feira, dezembro 01, 2005

rainy holiday


Choveu todo o dia, deve ter sido por isso que o meu vizinho de cima preferiu ficar em casa com o seu trombone em vez de ir para uma das salas de ensaio da ESMAE. Estou a ouvi-lo há quatro horas e meia e neste momento advogo ardentemente a erradicação de músicos e artistas em formação.

3 1/2 to Xmas ou "mentir ou não mentir, eis a questão"

No Verão passado, a minha sobrinha (7 anos) sentou-se num dos braços da cadeira onde eu tricotava e perguntou-me se "o Pai Natal existe mesmo". O irmão dela ouviu as palavras mágicas e pendurou-se no outro braço da cadeira. Senti-me completamente encurralada. Tentei escapar-me com um clássico: uma pergunta para responder a outra. «O que é que tu achas?»
- Não. Diz-me tu.
Tinha os olhos deles a analisarem-me as hesitações e um dilema moral de não somenos importância: ou mentia explicita e descaradamente (não sei porquê, mas parece-me muito diferente de tocar à campainha vestida de vermelho com uma barba e uma almofada a fazer de barriga) ou acabava ali mesmo com a fantasia.
- Claro que existe! Então ele não veio cá a casa o ano passado? Não o viste?
- Mas há umas meninas da minha escola que dizem que ele não existe...
- É porque se portaram mal e não receberam prendas. Vais ver como ele aparece outra vez este ano.

A minha irmã contou-me entretanto que o Henrique já anda a ver "a sombra do Pai Natal" lá por casa. A Catarina, por seu lado, resolveu guardar para o Natal todas as coisas que lhe parecem mais caras, para que os pais não gastem dinheiro. Este ano parece que ainda nos safamos. E não, não estou nada arrependida.

segunda-feira, novembro 28, 2005

accelerate

ias ficar tão orgulhoso de mim
hoje ultrapassei o limite de velocidade na auto-estrada

domingo, novembro 27, 2005

4 1/2 to Xmas

buy nothing

Ontem foi o Buy Nothing Day. Há uns anos ainda via alguns panfletos ou cartazes a chamar a atenção para a iniciativa; este ano soube-o apenas um dia depois. Não sei se comprar lãs também conta, nem é pelos meus novelos que me sinto uma fura-greves. Aliás, nem tenho a certeza que um Dia sem Compras não seja a mesma coisa do que o famoso Dia sem Carros: uma iniciativa demagógica para acalmar as boas consciências. No que diz respeito a este consumismo, como em tudo o resto, guio-me pelo bom senso; a única dúvida que subsiste é se o meu bom senso faz alguma diferença na contabilidade geral do mundo.
(E também não será este ano que farei um Buy Nothing Xmas.)

tasca do engenheiro (2)


É aqui

sábado, novembro 19, 2005

sábado

No fim de semana a cidade queixa-se da falta de carros; por isso as manhãs de sábado são sempre molhadas e cinzentas. Na rua as pessoas começam a amontoar prendas de natal; e nos jardins do Palácio de Cristal encontro camélias e, sobretudo, um ácer japonês de folhas vermelhas. O silêncio não parece tão grave, assim. Indago as razões que me levam a não fugir: para a Prelada, para Paris.

quinta-feira, novembro 17, 2005

a tasca do engenheiro


Em, Mourão, onde se ouve o silêncio, há uma "venda" de paredes caiadas de branco, onde se amontoam objectos (o caos uma ordem por decifrar), e nos sentamos em bancos toscos de madeira e ouvimos música clássica enquanto esperamos pela sopa de cação.

quarta-feira, novembro 16, 2005

9 1/2 to Xmas


Esta foi a última fotografia de um dia longo: quatro horas de carro até ao Alqueva (uma manhã fria - mas não muito - no Porto), panorâmica em Monsaraz (rodeada de água), visualização de um projecto no terreno, sopa de cação na "Tasca do Engenheiro" (e como este espaço seria um sucesso instantâneo no Porto), reunião de Câmara em Mourão e outras quatro horas até casa. A fotografia é de uma rua em Mourão: está meio escondida, mas enquadra perfeitamente a silhueta da fortaleza. Um urbanista não faria melhor.

domingo, novembro 13, 2005

sábado, novembro 05, 2005

um post para a Joana


A leitura é fácil, quase easy-reading (não confundir com literatura light); talvez haja quem fique pelo romance, pelo enredo; quem procure o pensamento filosófico que lhe dá o mote; quem apenas procure o fio de uma meada que ficou para trás.
O conteúdo é ideológico, o livro é um veículo para a exposição de uma teoria. O individualismo contra o colectivismo; registo o ano, 1943, a origem da Ayn Rand, russa; e passo à frente. Registo também a referência, no discurso final de Roark, ao país cujo mote é a «procura incessante da felicidade»; as buscas que faço sobre Objectivismo levam-me ao "capitalismo laissez-faire" como sistema político-económico ideal. Deixo tudo isso para trás, o que significa abandonar os meus próprios preconceitos. O que encontrei no livro foi o que não consegui explicar ao ver o filme: Dominique e a natureza da sua relação com Roark.
(Estranho, ou talvez não: raramente me lembrei de arquitectura enquanto lia.)
Quanto a Roark, lembra-me uma música dos Clã:
Tu nunca choras ao ver sangue
Tu nunca ficas transparente


Para saber mais:
Ayn Rand
Objectivismo

quinta-feira, outubro 27, 2005

you are here (2)


Keith Jarrett, Koln Concert (Part I)

you are here


Foto: Google Earth

Köln ([kœln]; Kölsch: Kölle) is, in terms of population, the fourth largest city in Germany and the largest city of the German Federal State of North Rhine-Westphalia. It is best known for its Cathedral, its uniquely brewed Kölsch beer, the original Eau de Cologne, and its celebration of Carnival and Christopher Street Day.
It is one of the most important German inland ports, and considered to be the economic, cultural, and historic capital of the Rhineland. It is the 16th largest city in the European Union. In June 2005, Cologne's population was 975,907, using the standard method of only counting persons whose primary residence (German: Hauptwohnsitz) was in the city. The City of Cologne includes those with non-primary residences (German: Nebenwohnsitz) in its figure, raising it to 1,022,627 (31 December 2004).
Its location at the intersection of the river Rhine (German: Rhein) with one of the major trade routes between eastern and western Europe was the basis of Cologne's commercial importance. In the Middle Ages it also became an ecclesiastical centre of significance and an important centre of arts and education. Cologne was devastated by Allied air raids the Allies during World War II, by the end of which 99% of Cologne's Jewish population had been annihilated.

fonte: Wikipedia

domingo, outubro 23, 2005

domingo, noite

As duas últimas noites foram longas; não digo surpreendentes porque nada houve nelas que mereça tal adjectivo - apenas talvez a sua existência, a repetição do seu início. Deitei-me tarde e ressenti-me disso; no entanto deixei o telemóvel ligado para sentir, ao adormecer, que as prolongava mais um pouco; que lhes permitia a continuação, ainda que apenas não mais do que em fantasia. On / Off não tem nada a ver com aparelhos electrónicos.

domingo, manhã


Acordar com dois dígitos no despertador; fazer um chá e arrumar o meu seven wishes jacket, o meu cherry-lipstick; desembrulhar o novo livro (porque continuo a querer questionar a natureza da minha afeição por certas coisas); lembrar a viagem nocturna no Peugeot 403, o jantar, e ainda o concerto de sexta feira (a minha estreia na sala 1 e uma reconciliação com a música contemporânea); mais do que de descanso o domingo torna-se dia de sonho e fantasia, como que para suportar a aridez dos dias que vêm (hoje que o frio parece ter finalmente chegado).

sábado, outubro 15, 2005

influenza

Comecei a sentir o primeiros sintomas a meio da tarde: o calor nas faces, os olhos vidrados. Um ligeiríssima febre - a recordar-me as febres cerebrais de que padeciam quase todas as heroínas dos romances do século XIX com que me formei, tanto como com os filmes de Hollywood dos anos 40 e 50. Ao fim do dia a cabeça latejava; talvez por não querer incorrer em nenhum pecado mortal, resolvi diagnosticar-me a mim mesma uma pequena gripe e a ela endossar a anterior melancolia.

quinta-feira, outubro 13, 2005

the fountainhead (2)

Saí da sala, calei-me, e calei-me - não sei se será da chuva, mas a melancolia parece ter chegado à cidade...

No entanto não posso dizer com clareza qual a razão pela qual o filme despertou esta vaga sensação; há alguma coerência entre a melancolia em si e a sua fonte difusa.

segunda-feira, outubro 10, 2005

vontade indómita

ele disse:
é o filme mais lindo

eu cozinhei o jantar
pintei as pestanas pus vermelho nos lábios
e deixei-me quieta no sofá

quinta-feira, outubro 06, 2005

a volta ao mundo em azulejos (2)

Tinha entrado no Metro no Marquês, saí em São Bento.

Aqui as cores são diferentes: é a única estação onde isso acontece. As letras com o nome da estação são também em azulejo, e não em aço; e quando se sobe pelas escadas rolantes não vale a pena pensar que o vandalismo já começou: não são riscos, são desenhos de Álvaro Siza que apenas de longe se decifram. Outros desenhos são quase segredos: um azulejo apenas, procura-se em cada pilar.

E já que estava em São Bento subi a outra estação: é que nunca tinha fotografado nenhum dos azulejos do átrio.

domingo, outubro 02, 2005

a volta ao mundo em azulejos (1)

Comecei a fotografar azulejos para este grupo do Flickr; a volta ao mundo veio depois. (Mundo, que é como quem diz, os sítios por onde passo de máquina fotográfica na mão.)

Hoje levei a máquina ao Marquês, lugar ainda ocupado pelas redes e tapumes dos trabalhos do Metro. O jardim está intransitável há anos, mas as casas continuam lá, à espera de fotografias.

O Porto é uma óptima cidade para fotografar azulejos; as famosas "casas do século XIX", com as suas estruturas de madeira e fachadas de granito, usavam quase sempre o azulejo como revestimento. É claro que a proliferação de lojas no piso térreo destrui grande parte dos panos de azulejo existentes; mas por vezes ainda se encontram algumas raridades, seja pelas cores, pela utilização de relevos ou simplesmente pelo desenho.


No Marquês não há nenhuma casa que se destaque pela riqueza da cor dos azulejos: verdes e vermelhos, sobretudo. São azulejos rectangulares, com as arestas chanfradas; parece um pormenor sem importância mas na verdade faz toda a diferença.

A arquitectura moderna no Porto soube usar o azulejo; um dos edifícios da Praça (ainda não consegui descobrir a autoria, mas pela estátua na fachada deverá ser de Viana de Lima ou de algum discípulo) utiliza-o, de uma forma bem diferente, claro...

E é claro que a viagem ao Marquês não podia terminar de outra forma senão com uma descida ao subsolo: a novíssima estação de Metro, com os já habituais azulejos que ninguém consegue nomear a cor...

domingo, setembro 25, 2005

dedicação

s.f. acto ou efeito de dedicar ou dedicar-se; afecto extremo; devoção; adesão; qualidade de quem se dedica; dedicatória; consagração; entrega.

sexta-feira, setembro 23, 2005

recomendações de setembro

Procurar as palavras, as frases justas: às coisas, aos afectos, à importância real que têm. Evitar a sobrevalorização do que quer que seja. Evitar a estridência. Não ter medo de não ser ouvida; quando o que conta é o volume, acaba-se num jogo de soma nula; nenhum acto é sustentável. Não recear dizer o que se sente; o que é justo não esconde, como não inflaciona.

quarta-feira, setembro 21, 2005

my crafty family (4)



A minha mãe bordou, o meu pai escreveu as quadras; e este lenço de namorados vai para o Quilt for Katrina...

quarta-feira, setembro 14, 2005

de tanto bater o meu coração parou

e o meu silêncio no regresso confirmava o receio
é já setembro e aparentemente movo-me, o quotidiano instalou-se já, parte dos projectos avança, algumas mudanças já
e no entanto sinto que parte de mim se resguarda e não se move
como se receasse que o coração batesse demais

sábado, setembro 03, 2005


O início de Setembro é sempre assim: vazio, chuvoso, cinzento. É preciso sempre um dia ou dois para saber que o Verão acabou, independentemente do calor que ainda reste. Os dias, que já começaram desde há muito a ser mais curtos, em breve serão uma sucessão de tarefas e trabalhos. Muita noite, que é quando o tempo livre se encontra.

segunda-feira, agosto 22, 2005

dolls


Acabei ontem estes bonecos para levar para a Joana; mas a minha mãe pôs-se a olhar tanto para eles que resolvi fazer-lhe uns gémeos... Por isso vou ter que me agarrar às agulhas.

domingo, agosto 21, 2005

my crafty family (3)


A história dos barcos na família vem de trás; o mar foi smpre ganha-pão na terra onde nasci, e de ambos os lados da família, até à minha geração, há gente de mar. O meu começou a fazer barcos em garrafas com o meu avô - pai da minha mãe - e este aprendeu mais ou menos sozinho. Lembro-me de ir com ele ao Museu ver o exemplar que lá havia; lembro-me de haver um tio-avô distante que os fazia, mas já não sei quem pudesse ser. O primeiro barco ficou pronto ao fim de uns meses, mas teve que ser colocado numa garrafa de ginja, com um gargalo excepcionalmente grande. Ao fim de uns anos, o avô fazia-os em 28 horas... e com uma precisão muito distante daquela que o primeiro deixa adivinhar. Em Ílhavo havia uma Escola de Artesanato, onde eu passava as tardes com os meus avós. A avó Tina experimentava várias cisas, desde as estatuetas de barro à renda de bilros; e eu, arrumados os cadernos, trabalhava também.

A Escola de Artesanato fechou ao fim de alguns anos. Era um projecto interessante, embora na altura tivesse poucas pessoas a trabalhar, ainda menos a aprender. Será que agora poderia ter um outro fim?

sexta-feira, agosto 19, 2005

my crafty family (2)


O meu pai também andou na Escola Industrial. Orgulhosamente intitula-se "serralheiro", e sempre tirou partido dessa formação de base. (Por exemplo, os portões da casa dos meus pais foram feitos por ele...) Há muito tempo que a garagem se transformou num misto de armazém e oficina; de há uns anos para cá, os espaços de trabalho têm invadido a casa, para desespero da minha mãe. Sai de tudo um pouco das bancadas do meu pai; mas brinquedos e barcos são a maioria. Os barcos vêm da tradição familiar: não só os da Ria, mas os da pesca. Era um trabalho a que se dedicaram muitos marinheiros quando o tempo não lhes permitia pescar. Mas essa é uma outra história...