segunda-feira, maio 01, 2006
terça-feira, abril 25, 2006
segunda-feira, abril 24, 2006
sábado, abril 22, 2006

Por vezes passa o dia inteiro sem comer. Preocupo-me - o jejum lembra-me o tempo em que brincava com traços brancos sob a pele. Perguntei-lhe se achava que era Sarah Morton. Disse-me que não, sabia perfeitamente quem era. Perguntei-lhe se imaginava que a frugalidade a tornaria capaz de voar. Sorriu. A partir de então, nesses dias, passei a verificar as janelas.
terça-feira, abril 18, 2006
green
domingo, abril 09, 2006
things to do in maiteland on a saturday night
watching a movie with a giant rabbit
or
ir para os anos 50 com uma saia rodada e uma fita no cabelo. (azul)
or
ir para os anos 50 com uma saia rodada e uma fita no cabelo. (azul)
sexta-feira, abril 07, 2006
postal ilustrado
Estou aqui há dois dias, se calhar chego antes deste postal. Mas como estou longe tenho um pretexto para escrever as coisas que não tenho oportunidade de te dizer quando aí estou – e não ter oportunidade de as dizer é já sintoma bastante. A distância ajuda e a síntese a que o tamanho do postal me obriga também. Há uma divisão entre a razão e os afectos que não me deixa ser clara; há desejos a turvarem tudo. Quis agir como se eles não existissem, mas não parece possível; não é fácil gerir o que tem acontecido – se é que se pode considerar a distância um acontecimento. Fica tudo dito no espaço que tenho – que sinto ser cada vez menos – e não espero que me dês resposta. Não espero que faças seja o que for – embora, e que fique bem claro, o deseje profundamente.
Post-scriptum: cortei o cabelo.
Post-scriptum: cortei o cabelo.
sábado, abril 01, 2006
bittersweet
Felizes encontros inesperados:
sinto os olhos manchados do cansaço e da falta de sono. Na véspera tudo em mim era tensão cromática - laranja e azul eléctrico.
Ao afastar-me do primeiro o sorriso deu lugar à incerteza; no segundo o meu silêncio ocupou o lugar do contentamento. «Quando é a nossa opaca presença física a estabelecer o contacto...» Entretanto descubro no espelho que passei alheada a muitos outros encontros inesperados. Dizem-me que tenho os olhos grandes e afinal descubro que só os uso para fitar - ao longe.
sinto os olhos manchados do cansaço e da falta de sono. Na véspera tudo em mim era tensão cromática - laranja e azul eléctrico.
Ao afastar-me do primeiro o sorriso deu lugar à incerteza; no segundo o meu silêncio ocupou o lugar do contentamento. «Quando é a nossa opaca presença física a estabelecer o contacto...» Entretanto descubro no espelho que passei alheada a muitos outros encontros inesperados. Dizem-me que tenho os olhos grandes e afinal descubro que só os uso para fitar - ao longe.
quinta-feira, março 30, 2006
segunda-feira, março 27, 2006
ilusão
(do Lat. illusione)
s. f.,
engano dos sentidos ou da inteligência;
errada interpretação de um facto;
pensamento quimérico;
coisa efémera;
utopia;
fantasia;
efeito artístico que produz ou procura produzir a impressão da realidade.
s. f.,
engano dos sentidos ou da inteligência;
errada interpretação de um facto;
pensamento quimérico;
coisa efémera;
utopia;
fantasia;
efeito artístico que produz ou procura produzir a impressão da realidade.
mudaram a cor aos dias
o que significa que vem aí o tempo dos vestidos, o sol enganador a criar quimeras e a fazer crer que tudo, mas tudo, é possível; não me engano, a Primavera tem este hábito de me derrubar sem compaixão. Pode andar escondida em cinzentos que eu conheço-lhe já os truques, sei o que anuncia, e até Setembro ou Outubro andarei seduzida pela efémera beleza das ilusões.
quinta-feira, março 16, 2006
terça-feira, março 14, 2006
uma no cravo, outra na ferradura
Por muito sol que faça, fotografias destas continuam a assustar-me...
domingo, março 12, 2006
Beware the ides of March*

As minhas deambulações levaram-me hoje à rua onde fui, há semanas atrás, ver uma casa. A rua estava calma (é uma rua calma, com árvores, embora estas não atinjam o troço onde se localiza o prédio), pouca gente se via passar. Ao fundo, a Praça das Flores; bem perto, as vendedoras de flores à porta do Prado do Repouso. Com o sol, que devia inundar os quartos virados a Poente, todas as outras coisas recuaram em importância: as obras, o tempo necessário para elas (que não sei quanto possa ser), a idade do prédio. Os dias de sol são perigosos, fazem-nos esquecer as prudências.
*Citação de Júlio César, da crónica de João Bérnard da Costa, no Público de hoje
sábado, março 11, 2006
terça-feira, março 07, 2006
ter razão
(pequeno ensaio sobre a democracia depois de "Good Night, and Good Luck")
O que mais me impressionou no filme não foi a reconstituição milimétrica, a filmagem sempre em set, a saturação de jazz (mas não te preocupes - não era um musical), ou sequer a inteligente utilização das "verdadeiras" imagens televisivas (como se tudo não fosse ficção); nem as múltiplas leituras do filme, desde o medo a condenar direitos que se consideram inalienáveis à derrocada da caixa que mudou o mundo; não foi o olhar de David Strathairn ou a forma como dizia a frase final (e que não consegui perceber se de um pessimismo ou optimismo desesperado); o que mais me impressionou e chocou foi que no fim, até um homem como William Paley, que não abandonou Murrow durante o confronto com o Senador Junior de Winsconsin, se rendeu à força mole do desejo de entretenimento e das audiências. É o que mais me assusta - que a maioria das pessoas acabe então por ter razão.
domingo, fevereiro 26, 2006
:D
Esta semana passou tão rapidamente que não me deixou tempo sequer de vir contar as boas notícias.
As boas notícias têm a ver com um quadro. Não uma tela, nada de físico; é a diferença entre poder estar doente ou não. Entre poder ser dispensada no dia seguinte ou não. E, eventualmente, entre poder ter um empréstimo para a tal casa - ou não. Para todos os efeitos, a partir de Fevereiro sou efectiva na empresa, tenho direito a subsídios de refeição, a horas extraordinárias, a férias. Não tenho que me lembrar todos os meses de pagar a segurança social. Posso deixar os recibos verdes na gaveta. Por tudo o que isso significa - e pelo que diz da forma como o meu trbalho está a ser recebido - o título, ali em cima, justifica-se em absoluto.
As boas notícias têm a ver com um quadro. Não uma tela, nada de físico; é a diferença entre poder estar doente ou não. Entre poder ser dispensada no dia seguinte ou não. E, eventualmente, entre poder ter um empréstimo para a tal casa - ou não. Para todos os efeitos, a partir de Fevereiro sou efectiva na empresa, tenho direito a subsídios de refeição, a horas extraordinárias, a férias. Não tenho que me lembrar todos os meses de pagar a segurança social. Posso deixar os recibos verdes na gaveta. Por tudo o que isso significa - e pelo que diz da forma como o meu trbalho está a ser recebido - o título, ali em cima, justifica-se em absoluto.
segunda-feira, fevereiro 20, 2006
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