quinta-feira, fevereiro 09, 2006

uma casa



Procurar uma casa é tarefa demorada; já o sabia e esse desgaste era uma das maiores resistências quando chegava a hora de tomar a decisão. Ainda agora comecei e já questiono a minha persistência: mesmo com todos os filtros do mundo as visitas acabam sempre em grandes desilusões. Só uma me interessou a ponto de ter que apelar a toda a minha racionalidade para não a comprar: era um sexto andar na Rua da Boavista, sem vizinhos e com muito sol. Tinha a cozinha num armário. Outra pela qual quase me apaixonei (e apenas em fotografia): um mezzanino a fazer de quarto, um terraço, uma clarabóia enorme. Era uma casa, casa mesmo, com solo debaixo de mim, não uma fracção. Está reservada e esforço-me por lhe elencar os defeitos: três metros e meio de largura, pouco mais de 50 de área. Ainda sim consigo perceber o que me move: a luz.

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

árvores


No caminho para o trabalho há apenas uma magnólia tardia; tenho perdido o fulgor das árvores. Contento-te com as camélias frágeis a enfeitar os topos dos muros e com as manhãs de domingo pelas ruas mais bonitas do Porto, até erguer os olhos e ficar - uma vez mais - assombrada pala estranha beleza das grandes flores brancas nos ramos nus.

domingo, fevereiro 05, 2006

domingo



Luz e sombra, os caminhos de Serralves quase vazios. (Nos ouvidos: Forbidden Colours, Sakamoto). Entre Thomas Hirschhorn e Ignasi Aballí vai um mundo de distância, medido pela quantidade de objectos. Nos jardins reencontro Ângelo de Sousa, e acabo por não fazer a via sacra de Richard Serra para te encontrar à entrada. O resto - é sol.




sexta-feira, fevereiro 03, 2006

hábitos

Apanhada pela Sónia em cinco hábitos estranhos:
- comer massa crua;
- arrumar a louça na banca ANTES de a lavar;
- ficar meia hora na cama antes de me levantar. Isto obriga-me a pôr o despertador um bocado mais cedo do que o absolutamente necessário; para não estar a desligá-lo de nove em nove minutos passei a usar a versão rádio (e a ligar o despertador no telemóvel). O cúmulo disto é que já cheguei a ouvir uma missa quase inteira antes de estender o braço para desligar a coisa;
- escrever um monte de coisas na agenda do género "ir ao supermercado" ou "passar roupa" (a lista de supermercado escrevo-a noutro caderno). Só pode significar que sou ou muito distraída ou muito preguiçosa - depois de ver o ponto anterior, acho que deve ser mesmo preguiça;
- ir para a cama às onze da noite (e no inverno, com uma botija de água quente).

Continua:
Aurelia
Saudades do Futuro
Uma vida por escrever
Livro em Flor
Tricot e tal

domingo, janeiro 29, 2006

hurry up spring warmers



Dizem que está frio lá fora, por isso nem para um café saí: acabei bem depressa as minhas novas mitaines e estou a escrever apenas com as pontas dos dedos de fora. O aquecedor está ligado há horas e mesmo assim está frio. Outra coisa que eu não quero na minha próxima casa: prédios a taparem o sol (e a estragarem-me as fotografias).

sábado, janeiro 28, 2006

house hunt


Já imaginava que a primeira casa que ia ver não seria a última. Estas visitas vão obrigar-me a pensar o que quero de uma casa. Luz; espaço, algum (mais do que o que agora tenho); transportes perto que o carro é sempre uma decisão adiada. Um café, uma padaria, um quiosque nas redondezas. O que não quero: marquises, tijoleira, cilindro. Uma vista para as traseiras de outros prédios; um terraço para o interior de um quarteirão. Não sei se encontrarei a melhor casa (já que a casa dos meus sonhos nem a vou procurar) e espero não me manter eternamente à espera dela; às vezes o melhor nunca chega, é só uma desculpa para não avançar.

sexta-feira, janeiro 27, 2006

deve haver um sítio onde nascem as decisões



Começo a deitar contas à vida; a imaginar as cores de paredes que nem sei sequer ainda onde são, a pensar em coisas práticas e comezinhas (ou nem tanto): um forno para bolos (ou para os scones da Joana), sofá cama para as visitas, espaço para conversas; o sofá em frente à janela, a televisão pequena a um canto. Luz. Deve haver um sítio onde estas coisas se começam a formar, a mim acontecem-me no escuro, quando ando mais calada, metida comigo mesma; quando me começam a perguntar o que tenho.

terça-feira, janeiro 24, 2006

I do not wish him to great, but merely to be lucky

fui ver o filme do Woody Allen. Irritou-me. A mim não: nem sequer me incomodou a ironia de ver os maus actos bem recompensados. O que se faz não tem por fim a recompensa (seremos porventura focas amestradas?) e o o resto é pouco menos do que caos.

terça-feira, janeiro 17, 2006

«I loved Ophelia, forty thousand brothers
Could not with all their quantity of love
Make up my sum...»

(William Shakespeare's Hamlet, Act V, Scene 1)


Ophelia, de John Everett Millais
Fonte: The Ophelia Page

segunda-feira, janeiro 16, 2006

coffee break


O que eu mais precisava, agora: de um tempo de pausa para respirar fundo, aclarar ideias, tomar decisões. E mantê-las.

terça-feira, janeiro 10, 2006

new year's resolutions


(ou objectivos, ou...)
Não tenho o hábito de fazer resoluções de ano novo, ou sequer de fazer balanços. Quanto aos desejos, estão espalhados por todos os dias. Mas quando vi esta lista pensei em fazer uma para mim: como uma espécie de âncora a coisas mais largas do que as tarefas que me ocupam quotidianamente. Comecei a escrevê-la na primeira página do ano, e é um work in progress: tenho a certeza que riscarei coisas e acrescentarei muitas mais. Coisas para melhorar o ano?

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Um colóquio na CCDR, um telefonema (depois de muita ponderação), Csa da música até fechar e uma despedida com um sorriso: "um bom ano, teresa" - um bom ano.

segunda-feira, janeiro 02, 2006

new year


O ano passado foram as mitaines, este ano as meias. Vai ser um ano em grande?

domingo, janeiro 01, 2006

sábado, dezembro 31, 2005

2005


Não é bem um balanço mas antes uma nova superstição (tão válida como ser uma retrosaria em Cedofeita): fazer ou aprender uma coisa nova.

sexta-feira, dezembro 30, 2005

era uma vez um cinema


Que fecha por falta de público, dizem. Que a quebra no último ano foi de 40%, ao que parece. Este ano devem contar-se pelos dedos de uma mão (e quantos sobram?) as vezes que lá vi cinema. E, no entanto, antes só não ia lá todas as semanas porque os filmes ficavam quase sempre mais tempo. Porquê? Porque os filmes que estavam em cartaz tinha-os visto no Cidade do Porto (onde tinham estreado) duas semanas antes. Porque um dos filmes que lá esteve nas últimas semanas tinha um título como "Rapaz com cão procura namorada com coração" (exemplo perfeito de miscasting). Houve um esvaziamento (deliberado?) da programação para aquele espaço, cujo resultado só poderia ser este. Não me interessa fazer luto ou luta por cinemas aos quais não vou por desinteresse, mas saber ver as razões porque desaparecem.

terça-feira, dezembro 27, 2005