sábado, outubro 15, 2005
influenza
Comecei a sentir o primeiros sintomas a meio da tarde: o calor nas faces, os olhos vidrados. Um ligeiríssima febre - a recordar-me as febres cerebrais de que padeciam quase todas as heroínas dos romances do século XIX com que me formei, tanto como com os filmes de Hollywood dos anos 40 e 50. Ao fim do dia a cabeça latejava; talvez por não querer incorrer em nenhum pecado mortal, resolvi diagnosticar-me a mim mesma uma pequena gripe e a ela endossar a anterior melancolia.
quinta-feira, outubro 13, 2005
the fountainhead (2)
terça-feira, outubro 11, 2005
segunda-feira, outubro 10, 2005
vontade indómita
ele disse:
é o filme mais lindo
eu cozinhei o jantar
pintei as pestanas pus vermelho nos lábios
e deixei-me quieta no sofá
é o filme mais lindo
eu cozinhei o jantar
pintei as pestanas pus vermelho nos lábios
e deixei-me quieta no sofá
quinta-feira, outubro 06, 2005
a volta ao mundo em azulejos (2)
Tinha entrado no Metro no Marquês, saí em São Bento.

Aqui as cores são diferentes: é a única estação onde isso acontece. As letras com o nome da estação são também em azulejo, e não em aço; e quando se sobe pelas escadas rolantes não vale a pena pensar que o vandalismo já começou: não são riscos, são desenhos de Álvaro Siza que apenas de longe se decifram. Outros desenhos são quase segredos: um azulejo apenas, procura-se em cada pilar.

E já que estava em São Bento subi a outra estação: é que nunca tinha fotografado nenhum dos azulejos do átrio.


Aqui as cores são diferentes: é a única estação onde isso acontece. As letras com o nome da estação são também em azulejo, e não em aço; e quando se sobe pelas escadas rolantes não vale a pena pensar que o vandalismo já começou: não são riscos, são desenhos de Álvaro Siza que apenas de longe se decifram. Outros desenhos são quase segredos: um azulejo apenas, procura-se em cada pilar.

E já que estava em São Bento subi a outra estação: é que nunca tinha fotografado nenhum dos azulejos do átrio.

segunda-feira, outubro 03, 2005
domingo, outubro 02, 2005
a volta ao mundo em azulejos (1)
Comecei a fotografar azulejos para este grupo do Flickr; a volta ao mundo veio depois. (Mundo, que é como quem diz, os sítios por onde passo de máquina fotográfica na mão.)

Hoje levei a máquina ao Marquês, lugar ainda ocupado pelas redes e tapumes dos trabalhos do Metro. O jardim está intransitável há anos, mas as casas continuam lá, à espera de fotografias.

O Porto é uma óptima cidade para fotografar azulejos; as famosas "casas do século XIX", com as suas estruturas de madeira e fachadas de granito, usavam quase sempre o azulejo como revestimento. É claro que a proliferação de lojas no piso térreo destrui grande parte dos panos de azulejo existentes; mas por vezes ainda se encontram algumas raridades, seja pelas cores, pela utilização de relevos ou simplesmente pelo desenho.


No Marquês não há nenhuma casa que se destaque pela riqueza da cor dos azulejos: verdes e vermelhos, sobretudo. São azulejos rectangulares, com as arestas chanfradas; parece um pormenor sem importância mas na verdade faz toda a diferença.

A arquitectura moderna no Porto soube usar o azulejo; um dos edifícios da Praça (ainda não consegui descobrir a autoria, mas pela estátua na fachada deverá ser de Viana de Lima ou de algum discípulo) utiliza-o, de uma forma bem diferente, claro...

E é claro que a viagem ao Marquês não podia terminar de outra forma senão com uma descida ao subsolo: a novíssima estação de Metro, com os já habituais azulejos que ninguém consegue nomear a cor...

Hoje levei a máquina ao Marquês, lugar ainda ocupado pelas redes e tapumes dos trabalhos do Metro. O jardim está intransitável há anos, mas as casas continuam lá, à espera de fotografias.

O Porto é uma óptima cidade para fotografar azulejos; as famosas "casas do século XIX", com as suas estruturas de madeira e fachadas de granito, usavam quase sempre o azulejo como revestimento. É claro que a proliferação de lojas no piso térreo destrui grande parte dos panos de azulejo existentes; mas por vezes ainda se encontram algumas raridades, seja pelas cores, pela utilização de relevos ou simplesmente pelo desenho.


No Marquês não há nenhuma casa que se destaque pela riqueza da cor dos azulejos: verdes e vermelhos, sobretudo. São azulejos rectangulares, com as arestas chanfradas; parece um pormenor sem importância mas na verdade faz toda a diferença.
A arquitectura moderna no Porto soube usar o azulejo; um dos edifícios da Praça (ainda não consegui descobrir a autoria, mas pela estátua na fachada deverá ser de Viana de Lima ou de algum discípulo) utiliza-o, de uma forma bem diferente, claro...
E é claro que a viagem ao Marquês não podia terminar de outra forma senão com uma descida ao subsolo: a novíssima estação de Metro, com os já habituais azulejos que ninguém consegue nomear a cor...
domingo, setembro 25, 2005
dedicação
s.f. acto ou efeito de dedicar ou dedicar-se; afecto extremo; devoção; adesão; qualidade de quem se dedica; dedicatória; consagração; entrega.
sexta-feira, setembro 23, 2005
recomendações de setembro
Procurar as palavras, as frases justas: às coisas, aos afectos, à importância real que têm. Evitar a sobrevalorização do que quer que seja. Evitar a estridência. Não ter medo de não ser ouvida; quando o que conta é o volume, acaba-se num jogo de soma nula; nenhum acto é sustentável. Não recear dizer o que se sente; o que é justo não esconde, como não inflaciona.
quarta-feira, setembro 21, 2005
my crafty family (4)

A minha mãe bordou, o meu pai escreveu as quadras; e este lenço de namorados vai para o Quilt for Katrina...
quarta-feira, setembro 14, 2005
de tanto bater o meu coração parou
e o meu silêncio no regresso confirmava o receio
é já setembro e aparentemente movo-me, o quotidiano instalou-se já, parte dos projectos avança, algumas mudanças já
e no entanto sinto que parte de mim se resguarda e não se move
como se receasse que o coração batesse demais
é já setembro e aparentemente movo-me, o quotidiano instalou-se já, parte dos projectos avança, algumas mudanças já
e no entanto sinto que parte de mim se resguarda e não se move
como se receasse que o coração batesse demais
sábado, setembro 03, 2005

O início de Setembro é sempre assim: vazio, chuvoso, cinzento. É preciso sempre um dia ou dois para saber que o Verão acabou, independentemente do calor que ainda reste. Os dias, que já começaram desde há muito a ser mais curtos, em breve serão uma sucessão de tarefas e trabalhos. Muita noite, que é quando o tempo livre se encontra.
quinta-feira, setembro 01, 2005
terça-feira, agosto 23, 2005
segunda-feira, agosto 22, 2005
domingo, agosto 21, 2005
my crafty family (3)
A história dos barcos na família vem de trás; o mar foi smpre ganha-pão na terra onde nasci, e de ambos os lados da família, até à minha geração, há gente de mar. O meu começou a fazer barcos em garrafas com o meu avô - pai da minha mãe - e este aprendeu mais ou menos sozinho. Lembro-me de ir com ele ao Museu ver o exemplar que lá havia; lembro-me de haver um tio-avô distante que os fazia, mas já não sei quem pudesse ser. O primeiro barco ficou pronto ao fim de uns meses, mas teve que ser colocado numa garrafa de ginja, com um gargalo excepcionalmente grande. Ao fim de uns anos, o avô fazia-os em 28 horas... e com uma precisão muito distante daquela que o primeiro deixa adivinhar. Em Ílhavo havia uma Escola de Artesanato, onde eu passava as tardes com os meus avós. A avó Tina experimentava várias cisas, desde as estatuetas de barro à renda de bilros; e eu, arrumados os cadernos, trabalhava também.
A Escola de Artesanato fechou ao fim de alguns anos. Era um projecto interessante, embora na altura tivesse poucas pessoas a trabalhar, ainda menos a aprender. Será que agora poderia ter um outro fim?
sexta-feira, agosto 19, 2005
my crafty family (2)

O meu pai também andou na Escola Industrial. Orgulhosamente intitula-se "serralheiro", e sempre tirou partido dessa formação de base. (Por exemplo, os portões da casa dos meus pais foram feitos por ele...) Há muito tempo que a garagem se transformou num misto de armazém e oficina; de há uns anos para cá, os espaços de trabalho têm invadido a casa, para desespero da minha mãe. Sai de tudo um pouco das bancadas do meu pai; mas brinquedos e barcos são a maioria. Os barcos vêm da tradição familiar: não só os da Ria, mas os da pesca. Era um trabalho a que se dedicaram muitos marinheiros quando o tempo não lhes permitia pescar. Mas essa é uma outra história...
quarta-feira, agosto 17, 2005
my crafty family (1)
A minha mãe andou na Escola Industrial, onde aprendeu uma série de trabalhos manuais, considerados imprescindíveis para uma dona de casa da altura. E eu sempre a vi a fazer qualquer coisa: camisolas para nós, bordados, crochet... Foi ela que me ensinou a tricotar, que me guiou pelas minhas primeiras camisolas, e que sempre incentivou as minhas incursões pelos bordados.
Começou a fazer bonecos de pano para os meus sobrinhos, e nsso é um pouco como eu: como não tem um omínio completo das questões técnicas, primeiro tenta ser fiel ao modelo, e só depois introduz alterações. Como neste boneco, por exemplo...
terça-feira, agosto 16, 2005
Craftismos
Uma surpresa no Jornal da Tarde de hoje: Poeiras, Trapos e Farrapos e o até agora desconhecida para mim Vento na Praia. Continuo sem saber muito bem o que chamar ao fenómeno crafty: desempregadas qualificadas é que não me parece um bom subtítulo para a reportagem. Mesmo que ache que a criação de peças de autoria, aproveitando o know-how das nossas avós e refazendo o design, pode ser uma boa solução para algum desemprego, acho que é muito mais do que isso. Tem a ver com um cada vez maior distanciamento em realação aos produtos em série que nos oferecem, mas reduzir tudo a uma crítica anti-globalização, ou alter-globalização, também não chega. Assim como não chega dizer que é gratificante ver sair das nossas mãos qualquer coisa de concreto...
Penso que há, sobretudo, um fenómeno de divulgação como nunca houve; divulgação e comunicação, permitindo, como em tantos outros campos, uma inovação e multiplicação muito mais rápida. Mas, na verdade, desde quando é que as mulheres (e, já agora, os homens) se dedicam, com maior ou menor criatividade, a fazer objectos com as suas próprias mãos? Basta olhar com um pouco menos de preconceito para tudo o que as nossas mães e avós fizeram: bordados, camisolas, roupa, bonecas. My crafty family é sobre isso; espero conseguir publcar algumas fotos de família que expliquem melhor de onde venho.
Penso que há, sobretudo, um fenómeno de divulgação como nunca houve; divulgação e comunicação, permitindo, como em tantos outros campos, uma inovação e multiplicação muito mais rápida. Mas, na verdade, desde quando é que as mulheres (e, já agora, os homens) se dedicam, com maior ou menor criatividade, a fazer objectos com as suas próprias mãos? Basta olhar com um pouco menos de preconceito para tudo o que as nossas mães e avós fizeram: bordados, camisolas, roupa, bonecas. My crafty family é sobre isso; espero conseguir publcar algumas fotos de família que expliquem melhor de onde venho.
felting
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