Uma surpresa no Jornal da Tarde de hoje:
Poeiras, Trapos e Farrapos e o até agora desconhecida para mim
Vento na Praia. Continuo sem saber muito bem o que chamar ao fenómeno
crafty: desempregadas qualificadas é que não me parece um bom subtítulo para a reportagem. Mesmo que ache que a criação de peças de autoria, aproveitando o
know-how das nossas avós e refazendo o
design, pode ser uma boa solução para algum desemprego, acho que é muito mais do que isso. Tem a ver com um cada vez maior distanciamento em realação aos produtos em série que nos oferecem, mas reduzir tudo a uma crítica anti-globalização, ou alter-globalização, também não chega. Assim como não chega dizer que é gratificante ver sair das nossas mãos qualquer coisa de concreto...
Penso que há, sobretudo, um fenómeno de divulgação como nunca houve; divulgação e comunicação, permitindo, como em tantos outros campos, uma inovação e multiplicação muito mais rápida. Mas, na verdade, desde quando é que as mulheres (e, já agora, os homens) se dedicam, com maior ou menor criatividade, a fazer objectos com as suas próprias mãos? Basta olhar com um pouco menos de preconceito para tudo o que as nossas mães e avós fizeram: bordados, camisolas, roupa, bonecas.
My crafty family é sobre isso; espero conseguir publcar algumas fotos de família que expliquem melhor de onde venho.