domingo, agosto 14, 2005

life goes on


No primeiro dia de férias acordei antes das oito da manhã, tricotei uma flor ao pequeno almoço, acabei um novelo em mais um mini FMB, acabei a manga deste wrap, e ainda li umas páginas do guia de Londres.
E hoje, novidades de Helsínquia.

quarta-feira, agosto 10, 2005

bentevi*

Devia ter uns seis ou oito anos; fiz uma asneira de que já não me lembro e, para escapar ao castigo, fugi. Meti-me num comboio à socapa; ia saindo em várias estações para fintar os revisores, retomando a marcha sempre para sul. Foi assim que chegeui ao Algarve. Mas a fome, que ia sendo enganada durante a viagem com a ajuda dos farníes de alguns companheiros, começou a apertar; e resolvi-me a tomar um emprego. A oportunidade surgiu num botequim onde espreitava alguma sobra: um cego, desses que pedem na rua, estava encostado ao balcão, à espera do seu copo de tinto. Reparei que o dono não lhe enchia o copo; e segredei-lhe baixinho: O copo não está cheio! Ele então falou bem alto: Ó senhor! Então quer enganar um cego? Porque não me enche o copo? O dono aproximou-se, e enquanto abria a garrafa disse-lhe que de cego ele tinha pouco. É que há coisas, senhor, que até os cegos vêem!
Tornei-me então moço de cego. Fazia os recados, contava o dinheiro, vivia na rua. Como não quis dizer o meu verdadeiro nome, quando ele me perguntou como me chamava respondi: Bentevi. Já viste uma coisa destas? Tu chamas-te Bentevi; e eu não te posso ver!.
A vida como moço de cego era dura, e eu começava a sentir saudades de casa. Talvez a minha falta não tivesse sido assim tão grave; talvez o castigo fosse mais suave do que a fuga. Comecei então a urdir um plano para me escapar; para além de ir juntando algumas moedas, precisava ainda de me livrar do cego, que nunca me deixava ir para longe.
O plano ganhou asas num domingo, enquanto assistíamos à missa. De tempos a tempos, o meu protector chamava:
- Bentevi!
- Senhor!
- Deixa-te ficar aí.
A certa altura afastei-me, enquanto no púlpito o padre falava dos milagres da igreja. Fiquei junto à porta, pronto a voltar atrás a qualquer momento. Mais uma vez ele deve ter dito: Bentevi!, porque comecei a vê-lo a ficar cada vez mais inquieto com a falta de resposta; até que começou a chamar cada vez mais alto. Bradava já o meu nome, Bentevi!, Bentevi! Ao seu lado, maravilhadas, as beatas ajoelharam:
- Milagre, milagre, o cego vê!

*esta história é dedicada ao meu avô, a quem a ouvi muitas vezes; era a única pessoa neste mundo que me chamava minha flor.

sábado, agosto 06, 2005

boas férias

Eu ainda fico por cá mais uma semana.

não havia minúsculas,

e eu queria pensar que foi por isso que a mensagem me intrigou.
"longe vai o tempo em que não terias dúvidas".
a medida do meu afastamento é que o meu desejo estava longe de o nomear. "Maneirista e tiquenta esta coisa das minúsculas, não?")
mudei-lhe o pronome pessoal e passei a dizer: ele. não são apenas as pessoas que são trituradas no tempo, ao que parece, os sentimentos também. e acabei a noite triste, por não ter novas de helsínquia.

quinta-feira, julho 28, 2005

E o pior é que eu sei mesmo o que é que ela quer dizer. E ainda faltam duas semanas para as férias...

Mini FMB



Estava a fazer este mini saco para oferecer à Winkiemoon, e dei-me conta de que faltam apenas cinco meses até ao Natal. Cinco! Não vou conseguir ricotar as prendas todas que queria!

terça-feira, julho 19, 2005

ligação

Ainda não o havia colocado - por esquecimento feliz, lia digitando as letras uma por uma, como quem aprende soletrando. Agora será mais simples, não cansarei as mãos nesse trabalho. Deixarei que se ocupem noutras tarefas, a dobar meadas em novelos, a manejar agulhas, tecendo.

sábado, julho 16, 2005

working o.d. (2)


Passam dias, são curtos, tão rápidos; parece ter sido há já tanto tempo que tudo aconteceu. Eu chamo-lhe working o.d., mas podia ser: summer vacation countdown. E ali era onde eu preferia estar: com sol e azul no céu, não o cinza mole da areosa.

domingo, julho 10, 2005

fraga



às vezes isto acontece: de repente abre-se o horizonte sob a luz mais bela do dia, e a respiração suspende-se desse momento; a sensação guarda-se no álbum de impressões, para ser desenterrada anos mais tarde, como o sabor de uma madalena no chá.

quinta-feira, junho 30, 2005

resposta

o que eu estou a fazer contigo
é o mesmo que estás a fazer comigo


e há muito tempo que ninguém me dizia nada tão belo

sexta-feira, junho 24, 2005

solstício

e depois sonho - um sonho confortável e bom, como uma espécie de casa.

segunda-feira, junho 20, 2005

e agora quando te olho -
e páro -

quando te olho e pergunto:
o que é que eu faço aqui

não é de ti que espero a resposta
só quero que um gesto teu a contenha

sexta-feira, junho 17, 2005

au revoir

estou em paris tiro as medidas vai ser a minha cidade

até já agora é tão mais teórico

não será pela distância

nunca o foi

quinta-feira, junho 16, 2005

peixes verdes

Eu sublinhei no livro:
"Os teus olhos são peixes verdes."

Ele pegou no livro, folheou-o.
Ele sublinhou:
"E eu acreditava."

Ele escreveu o nome dele no livro.
Eu nunca mais o deixei.

hoje é dia de bloom

por isso poderia não existir mais nada.

terça-feira, junho 14, 2005

wools



Começo a preparar as lãs para o próximo fim de semana, não quero chegar à noite de sábado com o stock de novelos esgotados. Creio também que estão a chegar ao fim os meus serões de tricot; começo a querer resolver a angústia da tese, e isso, só com trabalho. A vantagem é que, provavelmente, não estarei tão afastada da blogosfera.
Mas, como tantas outras decisões, estas também as deixo adiadas para Setembro.

domingo, junho 12, 2005

moods

A primeira coisa que digo ao encontrar a Alexandra (depois de a cumprimentar, claro), é: "Pois, ando desaparecida da blogosfera..."

TBR pile


Desde que comecei a fazer Bookcrossing que o monte de livros da minha mesa de cabeceira nunca mais foi o mesmo. Sobretudo porque não consigo deixar de comprar livros, com um prazer quase infantil na sua posse. E a Leitura Partilhada não ajudou a fazer diminuir a lista... Na quinta feira aproveitei o fim de tarde para me abastecer na Feira do Livro (a pensar no verão e nos próximos meses de LT). Encontrei ainda a Alexandra e aproveitei para lhe falar do mês dos contos - em que não irá faltar, claro, Tchékhov...

sábado, junho 11, 2005

mingus big band


Já passou uma semana e eu ainda não disse que o melhor da festa em Serralves se escrveu sempre com M...