domingo, maio 29, 2005

knitting update


Primeiro consegui terminar a minha nova camisola (que de "To Dye For", como é chamada no original da Stitch n' Bitch passou a Baggy Sweater - mesmo depois de um blocking que resolveu parte do assunto).
Depois foi o encontro de tricot a que finalmente consegui ir (com o bónus de ser na Rota do Chá do Artes em Partes, local a manter). É apenas a segunda vez que vou a um destes encontros, mas saio de lá sempre cheia de ideias. E, sobretudo, contente por não me sentir uma ave rara de agulhas na mão. Desta vez as outras aves eram a Filomena), a Pal, a Avó M. e a Rita.

Coma ajuda da Filomena) lá consegui destrinçar o Fisherman's Rib para esta espécie de xaile de verão. É o que agora me ocupa as horas (para além do Dom Quixote, claro...)

Este fim de semana prolongado deu para tirar as agulhas do saco, para (re)começar a conduzir, para descansar finalmente... e encher a cabeça de novos projectos.

sexta-feira, maio 20, 2005

Uma surpresa quando verifico os novos links de que sou alvo. Espanto, sobretudo quando o silêncio tem dominado - agora tenho a certeza de escrever mais nos cadernos do que em teclados. Uma pergunta, tantas vezes: como é que me encontram? E porquê, porque me escolhem?

quinta-feira, maio 12, 2005

o meu silêncio é

chego a casa exausta, deito-me e - quebro.
(todas as dúvidas e inseguranças acorrem, sempre me deixou assim, o cansaço)
chego a casa exausta, deito-me e quebro, e depois durmo. e acordo e ligo-te, faço-te um não-convite: fosse eu capaz de cozinhar... e falamos sem que nada de importante seja dito; sem que nada se aproxime do que eu sinto. apenas num momento: calamo-nos. e calamo-nos e mantemo-nos assim. já adormeceste? não. mas o silêncio foi o minuto mais eloquente.

domingo, maio 08, 2005

so not fair (2)

Já agora, continuo: porque é que as melhores séries da 2: são sempre às segundas feiras, que é o meu - teu - dia de cinema?

so not fair


Hoje dá um concerto do Keith Jarrett na 2:; logo hoje, que eu tenho que trabalhar...

sexta-feira, maio 06, 2005

seja como for

Depois de dois dias de working o.d. (and counting), não há nada como uma boa surpresa. E estas, tão aparentemente sem razão, são ainda melhores. Por isso, nada de lamentações acerca da diminuição abrupta de prazos ou seja do que for. E entretanto eu vou ali entregar uma cidade em Angola e já venho.

and now for something completely different

Este destaque não deve ser meu. Deve haver por aí outra menina inclinada. Não deve ser meu. Não deve. É meu?

terça-feira, maio 03, 2005

Claro que há uma razão para eu ter escolhido aquela passagem do livro, entre tantas outras.
É o meu baton cor de cereja.
Ou, como tu dizes, esse batonzinho.
Tive uma grande resistência a ler fosse o que fosse de Gonçalo M. Tavares. A aclamação de que foi alvo pela "alta crítica", o número quase exagerado de livros que lança a ritmo impressionante... sei lá qual terá a sido a mais forte razão para não ter vontade de o ler.
Jerusalém chegou-me às mãos quase por acaso, embora sem ser exactamente um acidente; e comecei a lê-lo porque me vi, ao início de uma longa tarde de domingo, sem qualquer outro livro disponível. Ao fim do dia, o encantamento quebrou-se: era a última página. E quebrou-se também mais um pouco da minha teimosia.

cherry lipstick

«A cor introduzida quase microscopicamente na beleza não visava porém o estado de beleza inerte; a cor não queria homenagens, mas sim entusiasmos. Uma beleza que tenha efeitos, não uma beleza para espectadores. E por beleza portadora de efeitos entendia-se o estado que na mulher provoca acções. Acções criadoras, viris.»

Gonçalo M. Tavares, Jerusalém

quarta-feira, abril 27, 2005

knitting again


O tempo para as agulhas tem sido escasso: entre uma cidade em angola e um campo de golfe no ribatejo, entre a rotunda da Areosa e a da Boavista, entre o Quixote e o cinema - e como é preciso também viver - a camisola começada há quase três semanas pouco avançou. Tão pouco tenho conseguido ir aos meetups - não porque não queira, mas porque os quartos sábados de cada mês têm estado sempre demasiado ocupados... ( ao previsto para Maio devo também faltar...)


No entanto, há novidades no meu saco de projectos: desda a Sophie's Bag finalmente feltrada (e com resultados bem melhores do que o French Market Bag, quanto a mim - o segredo está, parece-me, em usar agulhas bastante maiores do que seria necessário) a mais umas mitaines (em ponto de nós, receita do preciosíssimo - e injustamente gozado por fazer parte da minha prateleira de honra - Grande Livro dos Lavores...)


E os meus Stitch n' Bitch enchem-se de post-its - embora eu bem saiba que para tanto não tenho tempo...

terça-feira, abril 26, 2005

now reading



Domingo, 18 horas - hora do conto n'O Navio de Espelhos. Como era o dia seguinte a um feriado, daqueles que não vêm no calendário - o dia do livro - havia bolo de chocolate também. E um contador de histórias muito especial, capaz de fazer embalar os adultos na mesma história que os mais pequenos ouviam. Foi com ele que conversei sobre Tonino Guerra ao balcão, enquanto esperava que o livro me fosse entregue num saco de papel; sobre Tonino e mais meia dúzia de contistas a descobrir.
Nas primeiras sextas feiras de cada mês as portas abrem-se para uma noite de histórias - e desta vez sem ser para crianças; para histórias e sabe-se lá o que mais, que lá dentro está-se como em casa; as flores enfeitam os livros e sai-se sempre um pouco mais rico.

terça-feira, abril 19, 2005

Outras das ligações é a história de Milarepa.
Milarepa era um camponês com uma vida infeliz e cheia de crimes. Ansioso por mudar, atingindo o conhecimento, aproxima-se de um mestre budista. Este, ao ouvir que Milarepa se propunha a pagar qualquer preço pelos seus ensinamentos, fá-lo construir uma série de casas: no final da construção de cada uma, Marpa, o mestre, ordena a sua destruição, alegando razões absurdas. E, de cada vez, Milarepa, ansioso pelo conhecimento, destrói a casa e recomeça-a.
Acaba por se arruinar. Marpa, indiferente ao facto, exige um novo pagamento para o iniciar no caminho da iluminação. Despojado de todos os seus bens, Milarepa tenta finalmente entrar no círculo do mestre, mas este expulsa-o. E Milarepa, desistindo de vez de conseguir que Marpa aceda a ensiná-lo, decide suicidar-se. E então que o mestre se aproxima e o declara pronto para receber os ensinamentos.

"eu digo que o filme te deixou - meditabunda"

Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera
ou uma meditação sobre this mortal coil.

(Será que passamos o Outono e o Inverno a expiar o que fizémos na Primavera e no Verão? E para quê, se no final o ciclo recomeça, apenas porque a vida é mesmo assim? E quem afinal decretou que o Outono é aos trinta anos?)

«On his path to an enlightment of sorts, he must be stripped of everything, especially hope.»
(John Burnside, Introduction to The Sea, The Sea, by Iris Murdoch)

"ou que já o estavas antes - que eu vi."

domingo, abril 17, 2005

quoting (2)

Por um acaso, imediatamente depois de transcrever a citação anterior, fui ler de onde ela era originalmente citada.
O que explica muito. Antes de mais, o fascínio da frase. Depois, parte do sentido. Num livro assombrado pelo teatro e pelo poder e magia (e embriaguez, por que não?) da encenação, onde Shakespeare é referência constante, pergunto-me agora quantos mais fios destes me terão escapado por entre os dedos.

quoting

«For in that sleep of death what dreams may come when we have shuffled off this mortal coil must give us pause.»

Iris Murdoch, The Sea, The Sea

(e se agora eu soubesse pôr música no blogue, seria exactamente This Mortal Coil: You and Your Sister)

terça-feira, abril 12, 2005

eu gosto quando é noite e arrefece

se caminho sob o teu braço deixo o corpo tremer-me

reacerto

Às vezes não é preciso mais do que sol e tempo: Serralves ao domingo de manhã, apesar das trincheiras no jardim; Ribeira no domingo à tarde, até ficar com o nariz vermelho.
Às vezes não é preciso mais do que sol e tempo, uma outra presença para afastar de vez qualquer receio de awkwardness que possa ensombrar o dia
Às vezes não é preciso mais do que sol e tempo - e desejo - para reacertar o passo.

quinta-feira, abril 07, 2005

the working table



Os dias têm estado cinzentos - em demasia. Por isso hoje vou apenas mostrar o estirador onde trabalho, os lápis de cor com que pinto, as canetas de feltro que definem: habitação, equipamentos, serviços, indústria. parque urbano, universidade.
Nem parece trabalho, é quase a brincar que passo os dias. E eles voam, voam, voam.

terça-feira, abril 05, 2005

sábado, abril 02, 2005

não é por pensar muito que as coisas se resolvem

não é por pensar que os sentimentos se afastam - que as lágrimas páram - e tudo volta a ser como um novo dia de primavera

terça-feira, março 29, 2005

fim de semana de páscoa

Recuperar da primavera. (Desde há uns anos para cá, os inícios da primavera têm sido cada vez mais fortes, quase debilitantes; não é nenhuma espécie de alergia, mais um ajustamento do corpo. Acordo pregada à cama e à noite fecho os olhos sem ter lido uma linha.)
Três livros: Vermelho, de Mafalda Ivo Cruz; Sangue do meu Sangue, de Michael Cunningham; e O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald (nunca pensei que fosse uma história de amor.)
Não levei nenhum trabalho, e as mãos ressentiram-se disso. O meu pai fez-me umas agulhas novas - olho-as na mesa e fazem-me sonhar com luvas, cestos, gorros coloridos, objectos nos quais concretizo os meus afectos.

domingo, março 20, 2005

a minha última fotografia

Olho para a máquina, o cabelo caído cobre-me parte do rosto; um sorriso e não apenas nos lábios, tudo o que é visível em mim sorri (e ao sorriso não é alheia a presença ao meu lado, olhando para a máquina também). O meu rosto: sem marcas.
(No dia seguinte começaram a aparecer, e algumas ficarão pra sempre.)
Umas das razões que sempre dei para não furar os lóbulos das orelhas era o desejo de não ter marcas no corpo: marcas que me agarrassem (comprometessem) com um tempo ou desejo qualquer. (Argumento vazio: basta olhar para os meus braços.) Agora a infância passada (e a adolescência, céus, para quando a adoslescência?), o meu rosto finalmente marcado, e nem é tristeza que sinto, antes expectativa, como no abrir de uma nova estação.

sábado, março 19, 2005

happy birthday mr. president



vou coser um vestido ao corpo, vou platinar o cabelo, vou sussurrar-te ao ouvido, vou...

sábado, março 12, 2005

...estou farta de estar em casa cheia de borbulhas...


Depois de ter acabado o cesto (e acho que ainda o vou forrar...) e como ainda me sobrava imensa lã, resolvi entreter-me com mais uma bolsa. Fi-la mais pequena do que no modelo original, mas ficou tão petite... Ainda a vou pôr na máquina, embora correndo o risco de perder um pouco a cor.
E já tenho mais umas mitenes nas agulhas...

chicken pox


A todas as recentes, futuras mães: deixem as crianças ter varicela aos três, quatro, cinco anos, ou lá quando se é que se costumam ter essas coisas; quando se tem varicela aos trinta, se se começou um novo emprego (e mais uma outra coisa, ainda mal definida, que faz deixar de dormir e comer), a tortura chinesa não é tanto por causa das bolinhas por todo o corpo, mas sobretudo pela lentidão com que passam os dias.
Felizmente, tenho as agulhas para me distrair (e para manter as mãos ocupadas). Acabei o french market bag, e depois de uns ciclos na máquina de lavar roupa (e de ter perdido alguma cor) lá ficou pronto. Embora não exactamente como eu o imaginava...

quinta-feira, março 03, 2005

primeiras impressões

Cheguei a horas, apesar de ter saído na véspera do importante primeiro dia de trabalho (Fantasporto+Passos Manuel+[e isto é que não devia ter sido]Gesto);
Senti-me bem recebida - não que estivesse à espera de qualquer outra coisa, mas a satisfação não é por isso menor.
Tenho um estirador e uma secretária. Levei uma caneca verde. Em breve uma jarra com flores.
E ontem puseram-me uma cidadezinha nas mãos.

«por favor, arranjem-me uma máquina de escrever!»

(tantas coisas desde segunda feira - acho que não consigo falar de tudo...)

Como é que se trabalha sem computador? Sem um teclado?
Com um estirador, grandes folhas de papel, marcadores coloridos. Grandes manchas em canetas de feltro. (Vias, eixos, redes.) Com alguma paciência, também. Com sintomas de abstinência de rede.

segunda-feira, fevereiro 28, 2005

I'll miss the light


Estou muito entusiasmada com o meu novo trabalho - é o que realmente quero fazer, num sítio onde queria muito trabalhar, com pessoas com quem poderei aprender imenso - mas vou sentir saudades aqui do nosso alegre tasco.
Não consigo deixar de me surpreender sempre que descubro um link para a menina inclinada. Mas acho que nenhum me deixou mais feliz do que este. Posso conhecer a Alexandra apenas de passagem (e nem sei se ela já me associou a este outro blogue), mas o Seta Despedida é um dos melhores blogues do mundo. Do meu, pelo menos.

quarta-feira, fevereiro 23, 2005

faz frio


Os meus dedos ficam brancos e dormentes dentro das luvas. Faço chá apenas para poder segurar a chávena quente nas mãos. Tenho um xaile colorido que ponho sobre os joelhos. A imensa janela a sul torna-se inútil: sem sol, há apenas gotas de água a recolher.

french market bag


Foi o que fiz: este saco (começado há uma semana) está a ficar gigantesco, o que quer dizer que poderei arrastar os meus projectos comigo para todo o lado. O próximo que fizer será bem mais pequeno...
Entretanto, e depois de muita indecisão, lá me resolvi a encomendar os famosos Stitch 'n Bitch; mesmo agora, que o tempo disponível vai diminuir bastante, não consegui resistir.
Ah!, e tenho mesmo que ir comprar mais lã...

Adenda (23 fev): não sei como, mas esta fotografia apareceu aqui. Por isso, e já agora: .

terça-feira, fevereiro 22, 2005

morno

morno de cama é bom. morno de gente não. saio do cinema e chove: faz sentido, é um filme que faz chover. para a semana mudam os dias: recomeçar rotinas, horários, trabalhos. está a mudar muita coisa, o caderno às vezes on-line. old stories from an old moleskine. se calhar já não moras aqui. agora que penso nisso, não sei se alguma vez moraste. once upon a time there was this girl... tolices. está a chover, é um bom dia para ficar em casa e tricotar.

you're my million dollar baby

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

nome



ensaio as letras como quem apenas experimenta a caneta e
encho páginas até a palavra deixar de ter qualquer sentido
até que a urgência do teu nome abranda
e enfim respiro

sexta-feira, fevereiro 18, 2005

olhos azuis *

«Eu amo o teu atendedor de chamadas
Ele não me abandona
Repete vezes sem conta a tua voz»


(cito de cor, por isso peço desculpa antecipadamente por eventuais imprecisões)

Durante uma boa parte do ano passado, visitava quotidianamente o "Dicionário do Diabo" - e isto apesar da exasperação mais ou menos explícita que os textos de Pedro Mexia me causavam, com as suas pequenas incoerências e obssessões. Não era um ódio de estimação, mas tão pouco uma admiração clara. Até que um dia um texto avisava do fim d'O Dicionário. Só então me apercebi de como gostava de o ler - semi-apaixonada por quem o escrevia, sofri de sintomas de privação durante algo tempo.

Ontem vi-o no Teatro do Campo Alegre. Primeiro, a leitura dos poemas não me arrebatou; distante na minha cadeira, ouvia-o (e aos restantes) sem me ligar à poesia. Mas - perguntei-me então - não poderá estar a acontecer o mesmo que, o ano passado, sucedia com os seus textos?

* este post poderia igualmente intitular-se: poeta pop-star ou como uma reputação de rapariga séria e intelectual se pode arruinar em apenas uma música

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

Largo 1º de Dezembro



Cheio de magnólias em flor; e eu feliz pelas notícias. Dia um de Março começa um novo capítulo; e é também a minha vida que se altera, irreconhecível.
Disse há dias que para saber aproveitar os dias é preciso mais do que tempo: e agora vou finalmente testá-lo.

terça-feira, fevereiro 15, 2005

1k, 1p


(mais umas mitaines)

Entretanto comecei a fazer um saco para guardar os meus desejos (e o meu tricot também), enquanto via um episódio repetido de Six Feet Under.
Outros sacos na crescente lista de projectos a fazer:
Sophie, um saco pequeno; Lopi Tote, da Hello Yarn.
E estou ansiosa por saber mais coisas sobre o Meetup de ontem.

domingo, fevereiro 13, 2005

o tricot chega à  publicidade...


Estava no café a ler o jornal, e à primeira vista nem percebi qual era o objectivo da publicidade... Só sorri à ideia de que, num futuro talvez não tão longínquo, estar a tricotar com os amigos possa não ser uma coisa assim tão estranha.
(Por falar nisso, dentro de duas semanas é o próximo Knitting Meetup... e desta vez não vou poder ir.)

uma manhã nas compras


a fugir das arruadas da campanha, a escolher lãs, a comprar fruta; a encontrar a senhora das violetas - que custam exactamente o mesmo de há doze anos atrás...

sexta-feira, fevereiro 11, 2005

workin'



Duas semanas para a entrega do concurso; o projecto da tese paralisado; as agulhas em casa à minha espera; e vontade de aprender a costurar.

quinta-feira, fevereiro 10, 2005

gnomey hat


da hello yarn

Um episódio de 24 (já agora, alguém me explica porque é que o oaquim de Almeida faz sempre papel de traficante de droga sul-americano? E porque é que anda sempre à porrada com os bons da fita?) dá sempre jeito para acabar mais um gorro. Mesmo que os pompons não sejam a melhor companhia do Jack Bauer...
A caminho da faculdade, uma magnólia arranca-me ao silêncio: tudo o resto (as reflexões sobre a preparação e a pouca importância da falta desta, a descoberta serena da comunicação não verbal, a necessidade de fazer - qualquer coisa) emudeceu; lugar apenas apara o branco nada imaculado das flores nas árvores a darem-se ao céu:
chegou finalmente o tempo de andar pelas ruas deslumbrada com a beleza delas.

quarta-feira, fevereiro 09, 2005

E não, isto não é um texto do Gato Fedorento

Quando os padrinhos propõem que se façam as pazes, normalmente não lhes dão ouvidos, encarando isso como mera formalidade. Amor-próprio e tal, pronto.

É Tchékhov. Ah pois é.

now reading

segunda-feira, fevereiro 07, 2005

old stories from an old moleskine

último dia no porto, saio do escritório e escolho ir à esplanada; sento-me e leio o jornal, olho em redor mas sobretudo leio
e então olho para o meu lado direito, duas meseas entre mim e ele e eu sorrio
o coração bate-me depressa e eu sorrio
envio-lhe uma mensagem mas ele não vê, faço bolinhas de papel e atiro-lhas mas nenhuma lhe acerta
até que o vejo pegar no telemóvel e então espero
o coração bate-me
e vejo-o olhar em volta até me ver
levanta-se e sorri e senta-se na minha frente, atraente bonito como sempre
e falamos de nada, conto-lhe vagamente pequenas coisas soltas, e ele diz-me "mandei-te um email"
e ele diz-me "comprei-te um livro"
e ele olha para longe e diz "vem ali a minha namorada" e eu não digo
nada
nem sei o que faço se sorrio
sei que continuo conversando
e que tenho que ir
e levanto-me
vou de férias e só volto no fim do mês, ele pergunta-me se eu ainda passo pelo porto entretanto
cumprimentamo-nos e eu digo "fica bem" e afasto-me
eu afasto-me
ponho os óculos escuros e não olho para trás
(sei muito bem que não quero vê-la)
eu afasto-me
há tristeza mas não desespero, como se tudo o que eu escrevi tivesse finalmente tomado a sua forma
mais ou menos definitiva
e pela primeira vez em muito tempo não penso que gostaria de ter dito ou feito qualquer outra coisa
pela primeira vez em muito tempo não desejo ardentemente que tivesse sido de outro modo
inestimavelmente sinto-me bem comigo mesma

sexta-feira, fevereiro 04, 2005

café


a sensação – que já não é de hoje – de saber finalmente o que quero – de nunca ter estado tão certa acerca do sinto – parece ter-se imobilizado (cristalizado?) finalmente
(a ansiedade que não sinto como uma das suas expressões; falta de ansiedade, falta de pressa, e ainda assim desejo)

acho que nesse dia o teria beijado

(mas nada levou a isso, apenas o meu desejo; e não importa)
telefonei-lhe e saímos, bebemos um copo e conversámos; sempre coisas sérias e adultas e exteriores a nós mesmos; trouxe-me a casa e eu inclinei-me para ele no banco do carro, o seu braço levantado sobre os meus ombros, um beijo na face e
traz-me uma bola de neve

definitivamente acho que nesse dia o teria beijado

(música: good friday, cocorosie)

quinta-feira, fevereiro 03, 2005

cinq fois deux


ou valerá mesmo a pena começar o que quer que seja? Independentemente do final da história, valerá a pena vivê-la? Sempre? Se não, quando? Às vezes penso se a vida não será mesmo um jogo viciado no qual não se pode ganhar. Mas creio que não; que não é um jogo nem qualquer outra coisa, é vida, apenas.
Quanto ao filme – muito bom, triste. A forma como é contada a história – do fim para o início, como em Irreversible - dá um toque de perda a tudo o resto. A violência de Gilles – explícita quase imediatamente – vai sendo revelada a passo e passo. Os olhos de Marion – a forma como ela fecha decididamente a porta – acompanham mesmo – ou sobretudo – os momentos felizes.

e depois de tudo, pergunto-me: valeu, mesmo assim, a pena?

amostra


Um novo projecto (porque o meu sobrinho também vai ter um gorro).

e ontem - uma cerveja no Rivoli - para exacerbar as saudades - para ter mais uma vez a certeza - como nunca antes - do que sinto

quarta-feira, fevereiro 02, 2005


O gorro da minha sobrinha está pronto; agora é preciso ver se lhe serve - e se ela gosta.

Entretanto, tenho que pegar em projectos mais importantes... e bem mais difíceis. As coisas concretas - cuja explicação já ensaio, embora apenas intimamente - terão que se manter como fundo e não como forma. Na transição para o paradigma do desenvolviemnto sustentável, portanto...

ainda 2046

2046 é agora uma sucessão de imagens – espécie de mosaico composto por fragmentos belos brilhantes coloridos, lanterna de sombras, novelo de fios soltos para se começar a puxar
não, não estive perto das lágrimas (como sempre em In the mood for love); no entanto 2046 consegue ser um filme bem mais triste do que esse fantasma que sempre paira – essa pergunta que é: teria alguma destas histórias acontecido se
As imagens movem-se, giram, compõem novos desenhos. Estaria eu sempre consciente da presença ao meu lado? Ter-me-ei perguntado se ele sofria? Se se revia? Se – que – nome recordava?
E eu?
Quando leio Proust, que nome projecto em Albertine?

segunda-feira, janeiro 31, 2005

E além disso

tive o melhor domingo dos últimos tempos - mesmo sem Amarcord.

(Houve mar e sol e praia - e sobretudo - m.)

Estão prontas


mesmo a tempo do aniversário da Flora.

sexta-feira, janeiro 28, 2005


Para além da luz (e da motivação), trouxe ainda um monte de sacos que já foram feitos em fatias e quase todos crochetados no meu cesto...

a luz


Ontem fui a Aveiro; no meu saco de projectos há mais um, ainda muito recente e abstracto.
Como sempre, nos últimos tempos, venho de lá com um certo desejo de regressar. Endosso-o à luz: não a há como na Ria, apesar de eu nunca o ter visto quando vivia por lá.

quarta-feira, janeiro 26, 2005

o cesto



Vi-o pela primeira vez na Ervilha Cor de Rosa (que já se tornou de visita diária e obrigatória, tal é a minha admiração pelas peças que a Rosa faz e pela generosidade com que as partilha), mas só depois do encontro de sábado deitei mãos à obra - e agora é o meu trabalho preferido. Já gastei os sacos todos que tinha em casa - inclusivé os sacos das cenouras - e pouco mais tenho do que o fundo.
Estou a utilizar uma agulha de crochet de 5,5mm (era a única que tinha em casa) e, como não me socorri imediatamente do preciosíssimo Grande Livro dos Lavores, um ponto híbrido da malha cerrada e a meia bride. Nesta fotografia o saco tinha dois dias de trabalho - e agora, desde que descobri esta técnica de novelar (via pal), o trabalho está muito mais avançado.
Haja sacos.

um saco de projectos



o gorro, o cesto, as mitaines

Acho que estou a ficar viciada nestes crafts. (Ontem, por exemplo, em vez de ler estive a aumentar o meu saco feito de sacos.) Sinto cada vez mais vontade de me dedicar a coisas concretas - e manufacturá-las, também. Terei perdido demasiado tempo com abstracções? Talvez não. Talvez seja apenas uma evolução natural - em direcção a quê?

I knit, you knit (2)

Quando contei à minha mãe onde tinha passado parte da tarde de sábado, ela disse que se lembra ainda de ver as senhoras a juntarem-se nos cafés para conversar enquanto se distraiam com um tricot ou um crochet. Eu lembro-me de ver a minha mãe a crochetar na praia, juntamente com as amigas. E, para mim, já não é o mesmo estar em casa a tricotar em frente à televisão, por exemplo; falta-me a companhia e a conversa... Se eu perdesse MESMO a vergonha, passava a levar umas agulhas para o café sempre.

terça-feira, janeiro 25, 2005

I knit, you knit


Perdi a vergonha e fui tricotar para a Confeitaria do Bolhão. Conhecia a Ana, a pal, e mais umas quantas tricotadeiras que fizeram inveja às velhotas que lá lanchavam. E sabem que mais?
Gostei.

otto e mezzo

para amadurecer é sempre preciso renunciar a algo...

...ou não?

segunda-feira, janeiro 24, 2005

adeus

Sempre tive um problema com as despedidas - representam sempre algo de tão profundamente perturbador que nunca pude vivê-las sem angústia. Não leio ainda Adeus, o poema mais ou menos orfão de Eugénio, sem sentir o nó na garganta; sem sentir o brusco desejo de voltar atrás. As razões já as sei, já as sinto; no entanto, sinto cada vez mais a necessidade de passar por essa espécie de luto que um adeus envolve. Se me faz chorar? às vezes. mas sinto que despedir-me - e partir - sem demasiadas angústias é o nó essencial que me desata o ser.
Por isso não sei se este adeus que tenho vindo a representar é último e definitivo. Talvez seja, quando um novo amor se anuncia a espaços. Talvez não. Não importa. Agora - por agora - vou deixá-lo assim, como se tivesse terminado. E depois... bem depois logo se vê.

sábado, janeiro 22, 2005

sexta-feira, janeiro 21, 2005

quarta-feira, janeiro 12, 2005

Poderá o amor ser alguma vez um sorriso feliz e quieto - à espera que uma presença o ilumine?
(E desde quando, céus, me atrevo a falar de amor?)
Poderá o amor ser - alguma vez - prazer e não tortura? Prazer calmo e sereno, em vez de ansiedades descontroladas?
Poderá o amor ser - feliz?

domingo, janeiro 09, 2005

E, no entanto, ele existe

...pois quem já se apaixonou que não descobriu a vã evanescência do encontro carnal; quem não teve que compreender que, findo o breve que é tudo, se tem de recuar tanto do amor como do prazer, reunir a traparia e a escória - os chapéus e as calças e os sapatos que todos arrastamos por este mundo - e recuar, porque os deuses relevam e praticam estes e outros coitos como sonhos incomensuráveis, que flutuam alheados acima das peias e dos tormentos do instante, esse não era: é: foi: que é a compensação dada apenas a elefantes e a baleias, enfermados e imponderáveis: mas talvez se houvesse também o pecado, porventura não lhe seria permitido fugir, desenlaçar-se, regressar.

William Faulkner, Absalão, Absalão!

segunda-feira, janeiro 03, 2005

2005

Aprendi a fazer tricot com quatro agulhas nas últimas horas do ano velho; acabei as primeira luva tricotada por mim nas primeiras horas do novo.
Acho que vai ser um ano em grande.