terça-feira, março 29, 2005

fim de semana de páscoa

Recuperar da primavera. (Desde há uns anos para cá, os inícios da primavera têm sido cada vez mais fortes, quase debilitantes; não é nenhuma espécie de alergia, mais um ajustamento do corpo. Acordo pregada à cama e à noite fecho os olhos sem ter lido uma linha.)
Três livros: Vermelho, de Mafalda Ivo Cruz; Sangue do meu Sangue, de Michael Cunningham; e O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald (nunca pensei que fosse uma história de amor.)
Não levei nenhum trabalho, e as mãos ressentiram-se disso. O meu pai fez-me umas agulhas novas - olho-as na mesa e fazem-me sonhar com luvas, cestos, gorros coloridos, objectos nos quais concretizo os meus afectos.

domingo, março 20, 2005

a minha última fotografia

Olho para a máquina, o cabelo caído cobre-me parte do rosto; um sorriso e não apenas nos lábios, tudo o que é visível em mim sorri (e ao sorriso não é alheia a presença ao meu lado, olhando para a máquina também). O meu rosto: sem marcas.
(No dia seguinte começaram a aparecer, e algumas ficarão pra sempre.)
Umas das razões que sempre dei para não furar os lóbulos das orelhas era o desejo de não ter marcas no corpo: marcas que me agarrassem (comprometessem) com um tempo ou desejo qualquer. (Argumento vazio: basta olhar para os meus braços.) Agora a infância passada (e a adolescência, céus, para quando a adoslescência?), o meu rosto finalmente marcado, e nem é tristeza que sinto, antes expectativa, como no abrir de uma nova estação.

sábado, março 19, 2005

happy birthday mr. president



vou coser um vestido ao corpo, vou platinar o cabelo, vou sussurrar-te ao ouvido, vou...

sábado, março 12, 2005

...estou farta de estar em casa cheia de borbulhas...


Depois de ter acabado o cesto (e acho que ainda o vou forrar...) e como ainda me sobrava imensa lã, resolvi entreter-me com mais uma bolsa. Fi-la mais pequena do que no modelo original, mas ficou tão petite... Ainda a vou pôr na máquina, embora correndo o risco de perder um pouco a cor.
E já tenho mais umas mitenes nas agulhas...

chicken pox


A todas as recentes, futuras mães: deixem as crianças ter varicela aos três, quatro, cinco anos, ou lá quando se é que se costumam ter essas coisas; quando se tem varicela aos trinta, se se começou um novo emprego (e mais uma outra coisa, ainda mal definida, que faz deixar de dormir e comer), a tortura chinesa não é tanto por causa das bolinhas por todo o corpo, mas sobretudo pela lentidão com que passam os dias.
Felizmente, tenho as agulhas para me distrair (e para manter as mãos ocupadas). Acabei o french market bag, e depois de uns ciclos na máquina de lavar roupa (e de ter perdido alguma cor) lá ficou pronto. Embora não exactamente como eu o imaginava...

quinta-feira, março 03, 2005

primeiras impressões

Cheguei a horas, apesar de ter saído na véspera do importante primeiro dia de trabalho (Fantasporto+Passos Manuel+[e isto é que não devia ter sido]Gesto);
Senti-me bem recebida - não que estivesse à espera de qualquer outra coisa, mas a satisfação não é por isso menor.
Tenho um estirador e uma secretária. Levei uma caneca verde. Em breve uma jarra com flores.
E ontem puseram-me uma cidadezinha nas mãos.

«por favor, arranjem-me uma máquina de escrever!»

(tantas coisas desde segunda feira - acho que não consigo falar de tudo...)

Como é que se trabalha sem computador? Sem um teclado?
Com um estirador, grandes folhas de papel, marcadores coloridos. Grandes manchas em canetas de feltro. (Vias, eixos, redes.) Com alguma paciência, também. Com sintomas de abstinência de rede.

segunda-feira, fevereiro 28, 2005

I'll miss the light


Estou muito entusiasmada com o meu novo trabalho - é o que realmente quero fazer, num sítio onde queria muito trabalhar, com pessoas com quem poderei aprender imenso - mas vou sentir saudades aqui do nosso alegre tasco.
Não consigo deixar de me surpreender sempre que descubro um link para a menina inclinada. Mas acho que nenhum me deixou mais feliz do que este. Posso conhecer a Alexandra apenas de passagem (e nem sei se ela já me associou a este outro blogue), mas o Seta Despedida é um dos melhores blogues do mundo. Do meu, pelo menos.

quarta-feira, fevereiro 23, 2005

faz frio


Os meus dedos ficam brancos e dormentes dentro das luvas. Faço chá apenas para poder segurar a chávena quente nas mãos. Tenho um xaile colorido que ponho sobre os joelhos. A imensa janela a sul torna-se inútil: sem sol, há apenas gotas de água a recolher.

french market bag


Foi o que fiz: este saco (começado há uma semana) está a ficar gigantesco, o que quer dizer que poderei arrastar os meus projectos comigo para todo o lado. O próximo que fizer será bem mais pequeno...
Entretanto, e depois de muita indecisão, lá me resolvi a encomendar os famosos Stitch 'n Bitch; mesmo agora, que o tempo disponível vai diminuir bastante, não consegui resistir.
Ah!, e tenho mesmo que ir comprar mais lã...

Adenda (23 fev): não sei como, mas esta fotografia apareceu aqui. Por isso, e já agora: .

terça-feira, fevereiro 22, 2005

morno

morno de cama é bom. morno de gente não. saio do cinema e chove: faz sentido, é um filme que faz chover. para a semana mudam os dias: recomeçar rotinas, horários, trabalhos. está a mudar muita coisa, o caderno às vezes on-line. old stories from an old moleskine. se calhar já não moras aqui. agora que penso nisso, não sei se alguma vez moraste. once upon a time there was this girl... tolices. está a chover, é um bom dia para ficar em casa e tricotar.

you're my million dollar baby

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

nome



ensaio as letras como quem apenas experimenta a caneta e
encho páginas até a palavra deixar de ter qualquer sentido
até que a urgência do teu nome abranda
e enfim respiro

sexta-feira, fevereiro 18, 2005

olhos azuis *

«Eu amo o teu atendedor de chamadas
Ele não me abandona
Repete vezes sem conta a tua voz»


(cito de cor, por isso peço desculpa antecipadamente por eventuais imprecisões)

Durante uma boa parte do ano passado, visitava quotidianamente o "Dicionário do Diabo" - e isto apesar da exasperação mais ou menos explícita que os textos de Pedro Mexia me causavam, com as suas pequenas incoerências e obssessões. Não era um ódio de estimação, mas tão pouco uma admiração clara. Até que um dia um texto avisava do fim d'O Dicionário. Só então me apercebi de como gostava de o ler - semi-apaixonada por quem o escrevia, sofri de sintomas de privação durante algo tempo.

Ontem vi-o no Teatro do Campo Alegre. Primeiro, a leitura dos poemas não me arrebatou; distante na minha cadeira, ouvia-o (e aos restantes) sem me ligar à poesia. Mas - perguntei-me então - não poderá estar a acontecer o mesmo que, o ano passado, sucedia com os seus textos?

* este post poderia igualmente intitular-se: poeta pop-star ou como uma reputação de rapariga séria e intelectual se pode arruinar em apenas uma música

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

Largo 1º de Dezembro



Cheio de magnólias em flor; e eu feliz pelas notícias. Dia um de Março começa um novo capítulo; e é também a minha vida que se altera, irreconhecível.
Disse há dias que para saber aproveitar os dias é preciso mais do que tempo: e agora vou finalmente testá-lo.

terça-feira, fevereiro 15, 2005

1k, 1p


(mais umas mitaines)

Entretanto comecei a fazer um saco para guardar os meus desejos (e o meu tricot também), enquanto via um episódio repetido de Six Feet Under.
Outros sacos na crescente lista de projectos a fazer:
Sophie, um saco pequeno; Lopi Tote, da Hello Yarn.
E estou ansiosa por saber mais coisas sobre o Meetup de ontem.

domingo, fevereiro 13, 2005

o tricot chega à  publicidade...


Estava no café a ler o jornal, e à primeira vista nem percebi qual era o objectivo da publicidade... Só sorri à ideia de que, num futuro talvez não tão longínquo, estar a tricotar com os amigos possa não ser uma coisa assim tão estranha.
(Por falar nisso, dentro de duas semanas é o próximo Knitting Meetup... e desta vez não vou poder ir.)

uma manhã nas compras


a fugir das arruadas da campanha, a escolher lãs, a comprar fruta; a encontrar a senhora das violetas - que custam exactamente o mesmo de há doze anos atrás...

sexta-feira, fevereiro 11, 2005

workin'



Duas semanas para a entrega do concurso; o projecto da tese paralisado; as agulhas em casa à minha espera; e vontade de aprender a costurar.

quinta-feira, fevereiro 10, 2005

gnomey hat


da hello yarn

Um episódio de 24 (já agora, alguém me explica porque é que o oaquim de Almeida faz sempre papel de traficante de droga sul-americano? E porque é que anda sempre à porrada com os bons da fita?) dá sempre jeito para acabar mais um gorro. Mesmo que os pompons não sejam a melhor companhia do Jack Bauer...
A caminho da faculdade, uma magnólia arranca-me ao silêncio: tudo o resto (as reflexões sobre a preparação e a pouca importância da falta desta, a descoberta serena da comunicação não verbal, a necessidade de fazer - qualquer coisa) emudeceu; lugar apenas apara o branco nada imaculado das flores nas árvores a darem-se ao céu:
chegou finalmente o tempo de andar pelas ruas deslumbrada com a beleza delas.

quarta-feira, fevereiro 09, 2005

E não, isto não é um texto do Gato Fedorento

Quando os padrinhos propõem que se façam as pazes, normalmente não lhes dão ouvidos, encarando isso como mera formalidade. Amor-próprio e tal, pronto.

É Tchékhov. Ah pois é.

now reading

segunda-feira, fevereiro 07, 2005

old stories from an old moleskine

último dia no porto, saio do escritório e escolho ir à esplanada; sento-me e leio o jornal, olho em redor mas sobretudo leio
e então olho para o meu lado direito, duas meseas entre mim e ele e eu sorrio
o coração bate-me depressa e eu sorrio
envio-lhe uma mensagem mas ele não vê, faço bolinhas de papel e atiro-lhas mas nenhuma lhe acerta
até que o vejo pegar no telemóvel e então espero
o coração bate-me
e vejo-o olhar em volta até me ver
levanta-se e sorri e senta-se na minha frente, atraente bonito como sempre
e falamos de nada, conto-lhe vagamente pequenas coisas soltas, e ele diz-me "mandei-te um email"
e ele diz-me "comprei-te um livro"
e ele olha para longe e diz "vem ali a minha namorada" e eu não digo
nada
nem sei o que faço se sorrio
sei que continuo conversando
e que tenho que ir
e levanto-me
vou de férias e só volto no fim do mês, ele pergunta-me se eu ainda passo pelo porto entretanto
cumprimentamo-nos e eu digo "fica bem" e afasto-me
eu afasto-me
ponho os óculos escuros e não olho para trás
(sei muito bem que não quero vê-la)
eu afasto-me
há tristeza mas não desespero, como se tudo o que eu escrevi tivesse finalmente tomado a sua forma
mais ou menos definitiva
e pela primeira vez em muito tempo não penso que gostaria de ter dito ou feito qualquer outra coisa
pela primeira vez em muito tempo não desejo ardentemente que tivesse sido de outro modo
inestimavelmente sinto-me bem comigo mesma

sexta-feira, fevereiro 04, 2005

café


a sensação – que já não é de hoje – de saber finalmente o que quero – de nunca ter estado tão certa acerca do sinto – parece ter-se imobilizado (cristalizado?) finalmente
(a ansiedade que não sinto como uma das suas expressões; falta de ansiedade, falta de pressa, e ainda assim desejo)

acho que nesse dia o teria beijado

(mas nada levou a isso, apenas o meu desejo; e não importa)
telefonei-lhe e saímos, bebemos um copo e conversámos; sempre coisas sérias e adultas e exteriores a nós mesmos; trouxe-me a casa e eu inclinei-me para ele no banco do carro, o seu braço levantado sobre os meus ombros, um beijo na face e
traz-me uma bola de neve

definitivamente acho que nesse dia o teria beijado

(música: good friday, cocorosie)

quinta-feira, fevereiro 03, 2005

cinq fois deux


ou valerá mesmo a pena começar o que quer que seja? Independentemente do final da história, valerá a pena vivê-la? Sempre? Se não, quando? Às vezes penso se a vida não será mesmo um jogo viciado no qual não se pode ganhar. Mas creio que não; que não é um jogo nem qualquer outra coisa, é vida, apenas.
Quanto ao filme – muito bom, triste. A forma como é contada a história – do fim para o início, como em Irreversible - dá um toque de perda a tudo o resto. A violência de Gilles – explícita quase imediatamente – vai sendo revelada a passo e passo. Os olhos de Marion – a forma como ela fecha decididamente a porta – acompanham mesmo – ou sobretudo – os momentos felizes.

e depois de tudo, pergunto-me: valeu, mesmo assim, a pena?

amostra


Um novo projecto (porque o meu sobrinho também vai ter um gorro).

e ontem - uma cerveja no Rivoli - para exacerbar as saudades - para ter mais uma vez a certeza - como nunca antes - do que sinto

quarta-feira, fevereiro 02, 2005


O gorro da minha sobrinha está pronto; agora é preciso ver se lhe serve - e se ela gosta.

Entretanto, tenho que pegar em projectos mais importantes... e bem mais difíceis. As coisas concretas - cuja explicação já ensaio, embora apenas intimamente - terão que se manter como fundo e não como forma. Na transição para o paradigma do desenvolviemnto sustentável, portanto...

ainda 2046

2046 é agora uma sucessão de imagens – espécie de mosaico composto por fragmentos belos brilhantes coloridos, lanterna de sombras, novelo de fios soltos para se começar a puxar
não, não estive perto das lágrimas (como sempre em In the mood for love); no entanto 2046 consegue ser um filme bem mais triste do que esse fantasma que sempre paira – essa pergunta que é: teria alguma destas histórias acontecido se
As imagens movem-se, giram, compõem novos desenhos. Estaria eu sempre consciente da presença ao meu lado? Ter-me-ei perguntado se ele sofria? Se se revia? Se – que – nome recordava?
E eu?
Quando leio Proust, que nome projecto em Albertine?

segunda-feira, janeiro 31, 2005

E além disso

tive o melhor domingo dos últimos tempos - mesmo sem Amarcord.

(Houve mar e sol e praia - e sobretudo - m.)

Estão prontas


mesmo a tempo do aniversário da Flora.

sexta-feira, janeiro 28, 2005


Para além da luz (e da motivação), trouxe ainda um monte de sacos que já foram feitos em fatias e quase todos crochetados no meu cesto...

a luz


Ontem fui a Aveiro; no meu saco de projectos há mais um, ainda muito recente e abstracto.
Como sempre, nos últimos tempos, venho de lá com um certo desejo de regressar. Endosso-o à luz: não a há como na Ria, apesar de eu nunca o ter visto quando vivia por lá.

quarta-feira, janeiro 26, 2005

o cesto



Vi-o pela primeira vez na Ervilha Cor de Rosa (que já se tornou de visita diária e obrigatória, tal é a minha admiração pelas peças que a Rosa faz e pela generosidade com que as partilha), mas só depois do encontro de sábado deitei mãos à obra - e agora é o meu trabalho preferido. Já gastei os sacos todos que tinha em casa - inclusivé os sacos das cenouras - e pouco mais tenho do que o fundo.
Estou a utilizar uma agulha de crochet de 5,5mm (era a única que tinha em casa) e, como não me socorri imediatamente do preciosíssimo Grande Livro dos Lavores, um ponto híbrido da malha cerrada e a meia bride. Nesta fotografia o saco tinha dois dias de trabalho - e agora, desde que descobri esta técnica de novelar (via pal), o trabalho está muito mais avançado.
Haja sacos.

um saco de projectos



o gorro, o cesto, as mitaines

Acho que estou a ficar viciada nestes crafts. (Ontem, por exemplo, em vez de ler estive a aumentar o meu saco feito de sacos.) Sinto cada vez mais vontade de me dedicar a coisas concretas - e manufacturá-las, também. Terei perdido demasiado tempo com abstracções? Talvez não. Talvez seja apenas uma evolução natural - em direcção a quê?

I knit, you knit (2)

Quando contei à minha mãe onde tinha passado parte da tarde de sábado, ela disse que se lembra ainda de ver as senhoras a juntarem-se nos cafés para conversar enquanto se distraiam com um tricot ou um crochet. Eu lembro-me de ver a minha mãe a crochetar na praia, juntamente com as amigas. E, para mim, já não é o mesmo estar em casa a tricotar em frente à televisão, por exemplo; falta-me a companhia e a conversa... Se eu perdesse MESMO a vergonha, passava a levar umas agulhas para o café sempre.

terça-feira, janeiro 25, 2005

I knit, you knit


Perdi a vergonha e fui tricotar para a Confeitaria do Bolhão. Conhecia a Ana, a pal, e mais umas quantas tricotadeiras que fizeram inveja às velhotas que lá lanchavam. E sabem que mais?
Gostei.

otto e mezzo

para amadurecer é sempre preciso renunciar a algo...

...ou não?

segunda-feira, janeiro 24, 2005

adeus

Sempre tive um problema com as despedidas - representam sempre algo de tão profundamente perturbador que nunca pude vivê-las sem angústia. Não leio ainda Adeus, o poema mais ou menos orfão de Eugénio, sem sentir o nó na garganta; sem sentir o brusco desejo de voltar atrás. As razões já as sei, já as sinto; no entanto, sinto cada vez mais a necessidade de passar por essa espécie de luto que um adeus envolve. Se me faz chorar? às vezes. mas sinto que despedir-me - e partir - sem demasiadas angústias é o nó essencial que me desata o ser.
Por isso não sei se este adeus que tenho vindo a representar é último e definitivo. Talvez seja, quando um novo amor se anuncia a espaços. Talvez não. Não importa. Agora - por agora - vou deixá-lo assim, como se tivesse terminado. E depois... bem depois logo se vê.

sábado, janeiro 22, 2005

sexta-feira, janeiro 21, 2005

quarta-feira, janeiro 12, 2005

Poderá o amor ser alguma vez um sorriso feliz e quieto - à espera que uma presença o ilumine?
(E desde quando, céus, me atrevo a falar de amor?)
Poderá o amor ser - alguma vez - prazer e não tortura? Prazer calmo e sereno, em vez de ansiedades descontroladas?
Poderá o amor ser - feliz?

domingo, janeiro 09, 2005

E, no entanto, ele existe

...pois quem já se apaixonou que não descobriu a vã evanescência do encontro carnal; quem não teve que compreender que, findo o breve que é tudo, se tem de recuar tanto do amor como do prazer, reunir a traparia e a escória - os chapéus e as calças e os sapatos que todos arrastamos por este mundo - e recuar, porque os deuses relevam e praticam estes e outros coitos como sonhos incomensuráveis, que flutuam alheados acima das peias e dos tormentos do instante, esse não era: é: foi: que é a compensação dada apenas a elefantes e a baleias, enfermados e imponderáveis: mas talvez se houvesse também o pecado, porventura não lhe seria permitido fugir, desenlaçar-se, regressar.

William Faulkner, Absalão, Absalão!

segunda-feira, janeiro 03, 2005

2005

Aprendi a fazer tricot com quatro agulhas nas últimas horas do ano velho; acabei as primeira luva tricotada por mim nas primeiras horas do novo.
Acho que vai ser um ano em grande.

domingo, dezembro 19, 2004

segunda-feira, novembro 22, 2004

Somos todos anjos caídos?

Fui rever "Fallen Angels", de Wong Kar-wai; e o filme acabou por me levar a procurar coisas antigas. O resultado é que o tema do "Diário Íntimo" de George Sand ficou ultrapassado; ou talvez não, talvez acabe por se relacionar com o que enho a dizer.
É que me lembro exactamente da primeira vez que vi este filme; escolhi-o por mero acaso, o que eu queria de facto era qualquer coisa que me retirasse de mim mesma. (Quanto a esse objectivo, foi uma escolha falhada; mas fosse outro o meu estado de espírito e talvez não tivesse sentido a mesma intensidade de emoções.)
Mas o que eu queria perguntar neste post é se de facto estaremos todos condenados a ser anjos caídos, impossibilitados de viver o amor na sua forma mais intensa - pois essa aconteceu sempre no passado.

sábado, novembro 20, 2004

E, se dúvidas houvesse...

quanto ao papel da Ordem dos Arquitectos na sociedade, ficam desfeitas com este pequeno facto: a notícia sobre a reeleição de Helena Roseta como bastonária saiu hoje no Público, numa daquelas "breves" da secção de Cultura. Pois. Estamos conversados quanto ao nosso papel na Sociedade, não estamos?

E quanto à Ordem dos Arquitectos, bom... Acho que me fico por aqui.

sexta-feira, novembro 19, 2004

Pois é, perdemos. 440 votos para a A, 343 para a B, 36 brancos, 3 nulos, o que significa que apenas cerca de 20% dos arqtuitectos a norte votou. O que é que se passa com uma ordem que não consegue mobilizar para uma eleição mais do que 20% dos seus associados, ainda por cima numa altura supostamente tão importante como a da luta pela revogação do 73/73? E destes 80% que não se deram ao trabalho de pôr um boletim de voto no correio, quantos não o fizeram por não terem as cotas em dia? E o que é que tudo isto significa?
Parece-me cada vez mais claro que só quem precisa das certidões para dar entrada de licenciamentos é que paga as cotas. Isto é significativo - e grave. Porque em última análise quer dizer que a ordem não serve para nada, respondendo a uma pergunta que tem sido feita muitas vezes entre nós; e que até a própria bastonária já se fez, em artigo de opinião publicado dois dias antes das eleições no jornal Público. Pelos vistos, não soube bem responder-lhe...

Enfim, acabaram-se as listas. E agora?

quarta-feira, novembro 17, 2004

Como uma noite fria e nada prometedora pode estar cheia de pequenos prazeres

Basta retirá-los do (quase) nada, das fantasias e dos desejos. Por exemplo: se afinal o amigo do cinema me liga a dizer que se vai redimir por me fazer perder o cinema, retirar daí prazer, e não irritação por não o ter afinal encontrado. Por exemplo: se o VP me repete que a minha fotografia é a mais gira, seguido de uma conversa quase incongruente, retirar daí prazer, e não embaraço. Por exemplo: se depois diz a um outro que me falava "Antes tinhas mais jeito", retirar daí prazer, e não ultraje. Por exemplo: olhar quem desejo nos olhos. E sentir: prazer.

terça-feira, novembro 16, 2004

Eu podia nem me chatear muito: afinal, vou estar com ele na mesma, só não vou é aproveitar os convites para o cinema. Pois. Mas não: foi como uma tampa que tivesse levado. Agora vou ficar quieta. Muuuuuito quieta. 2046 bem pode ser o ano em que o volto a convidar para sair.

Como é que um gajo pode ser tão idiota que prefira passar uma noite a discutir umas eleições que já estão - com toda a certeza - decididas,

a ir ao cinema com uma amiga?
A resposta é simples: ou o gajo não gosta dela, ou o gajo tem medo dela. Nem sei qual é a melhor opção. De qualquer forma:
HOJE ÀS 21:30 REUNIÃO DE CAMPANHA.
Humpft.

segunda-feira, novembro 15, 2004

...a que iludidos escoadouros do sonho assim nos trai a incorrígivel carne...

William Faulkner, Absalão, Absalão!

E tudo isto para voltar ao assunto da semana (há uma semana que é assunto, quando antes simplesmente - não era), porque me pergunto agora a razão de se formarem os desejos, num sítio dentro de nós que primeiro não existia.
O desejo, primeiro, a vontade de seduzir;

onde é que começa afinal o amor?

domingo, novembro 14, 2004

Clumsy me

Muita imaginação dá depois nisto: de tanto fantasiar toda a conversa ao primeiro tropeção estatelo-me nas palavras, tudo o que digo me sai desajeitadamente da boca, perante o meu espanto; fecho os olhos com força, mas já não há nada a fazer, o convite passou a ser bruto e não simples, como quem pergunta se apetece um café.
Imaginar, mas nem tanto, talvez; pelo menos não me imaginar mais sedutora (mais capaz de sedução) do que realmente sou.
E agora, resta esperar, depois do fiasco do telefonema - sem pensar demasiado em terça-feira, no que visto no que digo no que acontecerá - pensar apenas no prazer que daí possa tirar -

sexta-feira, novembro 12, 2004

close your eyes and

mais um ponto cartografado nas minhas emoções:

o desejo que sinto forma-se apenas como um nó
qualquer coisa que se aperta cá dentro ao ouvir o nome, ao saber que está ali tão perto, e eu a imaginar
imaginar imaginar imaginar
poderei fazer qualquer coisa tornar a fantasia mais próxima da realidade
imaginar imaginar imaginar

Ainda Land of Plenty


Não falei ainda sobre o filme, mas posso dizer que a banda sonora é LINDA. Por favor arranjem-ma. Dão-se alvíssaras.
ESTA 6.ª FEIRA, DIA 12, ÀS 17:30, NO "HOTEL GRÃO VASCO"

EM VISEU, VAMOS APRESENTAR A NOSSA CANDIDATURA.

quinta-feira, novembro 11, 2004

o meu outro moleskine 1

Fui ver Land of Plenty
Há dias, antes deme deitar, vi um bom bocado de As Asas do Desejo, a beleza melancólica desse filme - das palavras que apenas leio, proferidas numa língua que não conheço e que assim se assemelha mais a um sussurro do que a um texto, das imagens a preto e branco (cuja transformação em cor, nas breves passagens da primeira parte do filme, são tão belas como esse mundo monocromático).
Emocionei-me com o percurso na biblioteca (o silêncio dos pensamentos finalmente audível), emocionei-me com o estribilho: a criança quando criança, pergunta: porque é que eu sou eu e não sou tu?
(Acho que foi nessa parte que algo em mim quebrou, talvez a beleza levemente angustiada das palavras de Handke tenha desfeito em mim qualquer coisa, uma barreira, um nó.)
Certo é que durante o dia a angústia parecia afastar-se, parecia estar já ultrapassada
(e se não tiver sido por causa das lágrimas de domingo? e se não tiver sido por isso?)
ESTA 5.ª FEIRA, DIA 11, ÀS 21:30, NO CAFÉ-CONCERTO DA CASA DAS ARTES

EM FAMALICÃO, VAMOS APRESENTAR A NOSSA CANDIDATURA.

segunda-feira, novembro 08, 2004

ESTA 3.ª FEIRA, DIA 9, ÀS 21:30, NA "BIBLIOTECA MUNICIPAL"

EM BARCELOS, VAMOS APRESENTAR A NOSSA CANDIDATURA.

sexta-feira, novembro 05, 2004

Quero lá saber de coisas sérias

há emergências e pronto, e esta caiu-me em cima à meia noite e meia, com os toques da campainha. Três longos e três curtos. E eu imobilizada na cama, eu aterrorizada, acabada de acordar, sem saber o que pensar. Só mais tarde liguei o telemóvel, confirmando que já sabia: ele, era ele lá em baixo, e eu sem forças para abrir. Toda a manhã tentei convencer-me de que tudo estava bem, que não valia a pena fazer fosse o que fosse; mas acabei por não suportar mais e ligar-lhe. A voz mole do outro lado. Eu sem conseguir falar. As mesmas frases repetidas trinta segundos depois. (A conversa vou escrevê-la no meu outro moleskine.)

Desligo o telefone, apesar do sol fico triste, o dia acabado para mim. Quero lutar contra esta sensação de perda - mas perda porquê, porquê, o que poderia ser diferente se ele tivesse entrado? E acabo por perceber que ficaria (ficarei) sempre a perder, quer ele entre quer não. Como sempre não há nada a fazer, só cerrar os dentes e esperar que passe.

quinta-feira, novembro 04, 2004

EM BRAGA, VAMOS APRESENTAR A NOSSA CANDIDATURA.

ESTA 2.ª FEIRA, DIA 8, ÀS 21:30, NA ESCOLA PROFISSIONAL DE BRAGA.
A Escola fica perto da feira junto à entrada das traseiras do Parque de Exposições.

Apresentação da lista

Hoje às 21.30, em Viana do Castelo, na Estalagem Melo Alvim.

Vou começar pela minha contribuição

Foi pedido a cada um dos candidatos que escrevesse um texto para figurar no site da lista. O meu é este:

As propostas que fazem parte do programa da lista B são mais ou menos consensuais, de tal forma que poderá haver quem as acuse de falta de originalidade. Mas todos sabemos que os problemas com que nos deparamos há muito que vêm a ser identificados. Todos sabemos do que precisamos: mais Ordem para fora (para uma maior visibilidade e reconhecimento do nosso papel), mais Ordem para dentro (para um maior apoio à profissão). São vectores fundamentais, deste e de qualquer outro programa.
Qual é a diferença, então? O que é que fecha este triângulo?
Para mim é a questão da PARTICIPAÇÃO. Porque implica desde logo um compromisso da parte das pessoas que compõem a lista; implica transparência de funcionamento; implica disponibilidade; e também, não menos importante, implica o envolvimento de outros para além dos que agora concorrem aos orgãos da Secção Regional Norte. Significa que a Ordem passa a ser assunto de todos nós.

Durante as próximas duas semanas...

...vou dedicar-me em exclusivo à campanha da lista B. Nada de falar de filmes, de gajos, de dúvidas. Nem de livros, nem da tese. Céus, no que eu me meti.

quarta-feira, novembro 03, 2004

Mudar mesmo

Em pleno período de campanha para eleições na Ordem dos Arquitectos, contamos espingardas. Aqui temos um blog de divulgação da lista. E aqui está o site da lista B, candidata à Secção Regional do Norte. Esta secção é a única para a qual existem duas listas: tanto a Secção Regional do Sul como o Conselho Directivo Nacional têm apenas uma lista de candidatos. O melhor do debate está a norte.

Dia triste

A Janela acabou.

sexta-feira, outubro 29, 2004

Filmes a ver (lista actualizada)

- Colateral, de Michael Mann
- Terra da Abundância, de Wim Wenders
- Wimbledon (pronto, não vou ver, mas tinha que ter uma desculpa para ter uma fotografia do Paul Bettany durante o fim de semana)

quinta-feira, outubro 28, 2004

...aquelas toilettes não eram um cenário qualquer substituível como se quisesse, mas uma realidade assente e poética como a do tempo que faz, ou como uma luz especial a uma certa hora.

Marcel Proust, A Prisioneira (Em Busca do Tempo Perdido, vol.V)

...o que signifoca que posso deixar-me finalmente de escrúpulos e voltar alegre e justificadamente a ocupar-me de casacos...

Ainda sobre Before Sunset

É verdade que o que eu queria mesmo era que ele tivesse perdido o avião; mas também não sei se acredito que, mesmo que ele tenha ficado, a história de ambos não se resuma a uma combinação dos fracassos que já experimentaram. (Queria acreditar que não, que não, que não.) Este não acreditar leva-me a outro (Eu não acredito em ti. Já não acredito em ti. Nunca mais.) - eu não acredito são as palavras exactas que uso quando quero quebrar o laço que me prende a ele. Quando deixei de acreditar num futuro possível - e feliz - para nós os dois, talvez alguma coisa se tenha quebrado dentro de mim, talvez tenha sido eu mesma. Talvez seja isso que eu tenha contra os romantismos - aos quais as lágrimas sempre cedem, contra a minha vontade - talvez isso me faça não acreditar em mais nada. (Eu antes tinha um sonho; e agora, o que é que tenho?) Talvez seja isso que me enfureça quando vejo coragem e - sonho - representados assim à minha frente (não esquecer como achei gratuita toda aquela cena de Ernesto a atravessar o rio apesar de tudo, gratuita e insuportavelmente complacente).
Tenho medo de me ter tornado uma pessoa plana e amarga, sem sonhos, crescida demais, incapaz demais, sem rumo.

(ele ligou naquela tarde em que felizmente estava no cinema, o telemóvel desligado, sinto que lhe fujo e nem sei porquê.)

terça-feira, outubro 26, 2004

Mais cinema

Ando a retirar filmes da minha lista a uma velocidade estonteante. Ontem fui ver The Motorcycle Diaries (chamo-lhe propositadamente assim, para não colar o ícone de Ernesto Che Guevara às emoções que o filme desperta). O filme é lindo; apesar de nada me ligar à questão da América Latina, a viagem de descoberta é um tema que me toca profundamente... Assim, tentei abstrair-me do Che, o que só me fez voltar a minha atenção para Rodrigo de la Serna, o actor que constrói um Alberto Granado fabuloso, e que não merece ficar escondido a trás da beleza de Gael García Bernal... nem sempre foi possível, no entanto. A cena do atravessamento do rio a nado chegou a irritar-me pela sua auto-complacência. Está bem, está bem, aquilo aconteceu mesmo. Mas que diabo, sem música de fundo. Ou então serão ainda os reflexos da minha melancolia do filme anterior; tendo descoberto que já não sonho, acho patético ver quem sonha. Talvez seja isso, não sei. Mas a isto voltarei mais tarde.

segunda-feira, outubro 25, 2004

O que eu espero mesmo é que ele tenha perdido o avião...


Before Sunset

(Mais um filme fora da minha lista...)
Portei-me bem (só chorei um bocadinho, e ninguém viu), não sei se por me descobrir mais cínica do que eu mesma julgava. Talvez tenha dado por mim a ser mais cínica; talvez seja uma romântica a fingir de cínica; talvez uma cínica a querer ser romântica. Não sei. Sei que tive saudades de mim mesma; saudades dele também.

sexta-feira, outubro 22, 2004

A vida é um milagre

Ontem resolvi aproveitar a minha recente situação de trabalhadora por conta própria (eufemismo mais ou menos disfarçado para o desemprego) para ir ao cinema à tarde. Com o humor com que estava, melhor enfiar-me uma sala escura e viver outra vida. E do topo da minha lista de filmes a ver saiu A Vida é uma Milagre. Estava lá tudo: excesso, música, dança (que saudades da No Smoking Band!), cocaína ao longo das linhas de comboio, uma mula a tentar o suícídio, guerra e amor. E sonho. Luka e Sabaha rolando na terra, a câmara girando sobre o seu abraço. Lágrimas e risos, a vida é um milagre mesmo.

Mais uma nota sobre Quem tem medo...

O texto é de tal forma que rico que serve múltiplas leituras - descobri-las é um dos prazeres que proporciona - desde o imediatismo do riso (e até as razões para este podem ser desmontadas!) ao choque face à violência - quando esta é explícita. E o título? É apenas a ladainha? Ou há aqui também outras camadas?
Quem tem medo de viver no fio da navalha? Quem tem medo da loucura?