sexta-feira, fevereiro 04, 2005

café


a sensação – que já não é de hoje – de saber finalmente o que quero – de nunca ter estado tão certa acerca do sinto – parece ter-se imobilizado (cristalizado?) finalmente
(a ansiedade que não sinto como uma das suas expressões; falta de ansiedade, falta de pressa, e ainda assim desejo)

acho que nesse dia o teria beijado

(mas nada levou a isso, apenas o meu desejo; e não importa)
telefonei-lhe e saímos, bebemos um copo e conversámos; sempre coisas sérias e adultas e exteriores a nós mesmos; trouxe-me a casa e eu inclinei-me para ele no banco do carro, o seu braço levantado sobre os meus ombros, um beijo na face e
traz-me uma bola de neve

definitivamente acho que nesse dia o teria beijado

(música: good friday, cocorosie)

quinta-feira, fevereiro 03, 2005

cinq fois deux


ou valerá mesmo a pena começar o que quer que seja? Independentemente do final da história, valerá a pena vivê-la? Sempre? Se não, quando? Às vezes penso se a vida não será mesmo um jogo viciado no qual não se pode ganhar. Mas creio que não; que não é um jogo nem qualquer outra coisa, é vida, apenas.
Quanto ao filme – muito bom, triste. A forma como é contada a história – do fim para o início, como em Irreversible - dá um toque de perda a tudo o resto. A violência de Gilles – explícita quase imediatamente – vai sendo revelada a passo e passo. Os olhos de Marion – a forma como ela fecha decididamente a porta – acompanham mesmo – ou sobretudo – os momentos felizes.

e depois de tudo, pergunto-me: valeu, mesmo assim, a pena?

amostra


Um novo projecto (porque o meu sobrinho também vai ter um gorro).

e ontem - uma cerveja no Rivoli - para exacerbar as saudades - para ter mais uma vez a certeza - como nunca antes - do que sinto

quarta-feira, fevereiro 02, 2005


O gorro da minha sobrinha está pronto; agora é preciso ver se lhe serve - e se ela gosta.

Entretanto, tenho que pegar em projectos mais importantes... e bem mais difíceis. As coisas concretas - cuja explicação já ensaio, embora apenas intimamente - terão que se manter como fundo e não como forma. Na transição para o paradigma do desenvolviemnto sustentável, portanto...

ainda 2046

2046 é agora uma sucessão de imagens – espécie de mosaico composto por fragmentos belos brilhantes coloridos, lanterna de sombras, novelo de fios soltos para se começar a puxar
não, não estive perto das lágrimas (como sempre em In the mood for love); no entanto 2046 consegue ser um filme bem mais triste do que esse fantasma que sempre paira – essa pergunta que é: teria alguma destas histórias acontecido se
As imagens movem-se, giram, compõem novos desenhos. Estaria eu sempre consciente da presença ao meu lado? Ter-me-ei perguntado se ele sofria? Se se revia? Se – que – nome recordava?
E eu?
Quando leio Proust, que nome projecto em Albertine?

segunda-feira, janeiro 31, 2005

E além disso

tive o melhor domingo dos últimos tempos - mesmo sem Amarcord.

(Houve mar e sol e praia - e sobretudo - m.)

Estão prontas


mesmo a tempo do aniversário da Flora.

sexta-feira, janeiro 28, 2005


Para além da luz (e da motivação), trouxe ainda um monte de sacos que já foram feitos em fatias e quase todos crochetados no meu cesto...

a luz


Ontem fui a Aveiro; no meu saco de projectos há mais um, ainda muito recente e abstracto.
Como sempre, nos últimos tempos, venho de lá com um certo desejo de regressar. Endosso-o à luz: não a há como na Ria, apesar de eu nunca o ter visto quando vivia por lá.

quarta-feira, janeiro 26, 2005

o cesto



Vi-o pela primeira vez na Ervilha Cor de Rosa (que já se tornou de visita diária e obrigatória, tal é a minha admiração pelas peças que a Rosa faz e pela generosidade com que as partilha), mas só depois do encontro de sábado deitei mãos à obra - e agora é o meu trabalho preferido. Já gastei os sacos todos que tinha em casa - inclusivé os sacos das cenouras - e pouco mais tenho do que o fundo.
Estou a utilizar uma agulha de crochet de 5,5mm (era a única que tinha em casa) e, como não me socorri imediatamente do preciosíssimo Grande Livro dos Lavores, um ponto híbrido da malha cerrada e a meia bride. Nesta fotografia o saco tinha dois dias de trabalho - e agora, desde que descobri esta técnica de novelar (via pal), o trabalho está muito mais avançado.
Haja sacos.

um saco de projectos



o gorro, o cesto, as mitaines

Acho que estou a ficar viciada nestes crafts. (Ontem, por exemplo, em vez de ler estive a aumentar o meu saco feito de sacos.) Sinto cada vez mais vontade de me dedicar a coisas concretas - e manufacturá-las, também. Terei perdido demasiado tempo com abstracções? Talvez não. Talvez seja apenas uma evolução natural - em direcção a quê?

I knit, you knit (2)

Quando contei à minha mãe onde tinha passado parte da tarde de sábado, ela disse que se lembra ainda de ver as senhoras a juntarem-se nos cafés para conversar enquanto se distraiam com um tricot ou um crochet. Eu lembro-me de ver a minha mãe a crochetar na praia, juntamente com as amigas. E, para mim, já não é o mesmo estar em casa a tricotar em frente à televisão, por exemplo; falta-me a companhia e a conversa... Se eu perdesse MESMO a vergonha, passava a levar umas agulhas para o café sempre.

terça-feira, janeiro 25, 2005

I knit, you knit


Perdi a vergonha e fui tricotar para a Confeitaria do Bolhão. Conhecia a Ana, a pal, e mais umas quantas tricotadeiras que fizeram inveja às velhotas que lá lanchavam. E sabem que mais?
Gostei.

otto e mezzo

para amadurecer é sempre preciso renunciar a algo...

...ou não?

segunda-feira, janeiro 24, 2005

adeus

Sempre tive um problema com as despedidas - representam sempre algo de tão profundamente perturbador que nunca pude vivê-las sem angústia. Não leio ainda Adeus, o poema mais ou menos orfão de Eugénio, sem sentir o nó na garganta; sem sentir o brusco desejo de voltar atrás. As razões já as sei, já as sinto; no entanto, sinto cada vez mais a necessidade de passar por essa espécie de luto que um adeus envolve. Se me faz chorar? às vezes. mas sinto que despedir-me - e partir - sem demasiadas angústias é o nó essencial que me desata o ser.
Por isso não sei se este adeus que tenho vindo a representar é último e definitivo. Talvez seja, quando um novo amor se anuncia a espaços. Talvez não. Não importa. Agora - por agora - vou deixá-lo assim, como se tivesse terminado. E depois... bem depois logo se vê.

sábado, janeiro 22, 2005

sexta-feira, janeiro 21, 2005