segunda-feira, janeiro 24, 2005

adeus

Sempre tive um problema com as despedidas - representam sempre algo de tão profundamente perturbador que nunca pude vivê-las sem angústia. Não leio ainda Adeus, o poema mais ou menos orfão de Eugénio, sem sentir o nó na garganta; sem sentir o brusco desejo de voltar atrás. As razões já as sei, já as sinto; no entanto, sinto cada vez mais a necessidade de passar por essa espécie de luto que um adeus envolve. Se me faz chorar? às vezes. mas sinto que despedir-me - e partir - sem demasiadas angústias é o nó essencial que me desata o ser.
Por isso não sei se este adeus que tenho vindo a representar é último e definitivo. Talvez seja, quando um novo amor se anuncia a espaços. Talvez não. Não importa. Agora - por agora - vou deixá-lo assim, como se tivesse terminado. E depois... bem depois logo se vê.

sábado, janeiro 22, 2005

sexta-feira, janeiro 21, 2005

quarta-feira, janeiro 12, 2005

Poderá o amor ser alguma vez um sorriso feliz e quieto - à espera que uma presença o ilumine?
(E desde quando, céus, me atrevo a falar de amor?)
Poderá o amor ser - alguma vez - prazer e não tortura? Prazer calmo e sereno, em vez de ansiedades descontroladas?
Poderá o amor ser - feliz?

domingo, janeiro 09, 2005

E, no entanto, ele existe

...pois quem já se apaixonou que não descobriu a vã evanescência do encontro carnal; quem não teve que compreender que, findo o breve que é tudo, se tem de recuar tanto do amor como do prazer, reunir a traparia e a escória - os chapéus e as calças e os sapatos que todos arrastamos por este mundo - e recuar, porque os deuses relevam e praticam estes e outros coitos como sonhos incomensuráveis, que flutuam alheados acima das peias e dos tormentos do instante, esse não era: é: foi: que é a compensação dada apenas a elefantes e a baleias, enfermados e imponderáveis: mas talvez se houvesse também o pecado, porventura não lhe seria permitido fugir, desenlaçar-se, regressar.

William Faulkner, Absalão, Absalão!

segunda-feira, janeiro 03, 2005

2005

Aprendi a fazer tricot com quatro agulhas nas últimas horas do ano velho; acabei as primeira luva tricotada por mim nas primeiras horas do novo.
Acho que vai ser um ano em grande.

domingo, dezembro 19, 2004

segunda-feira, novembro 22, 2004

Somos todos anjos caídos?

Fui rever "Fallen Angels", de Wong Kar-wai; e o filme acabou por me levar a procurar coisas antigas. O resultado é que o tema do "Diário Íntimo" de George Sand ficou ultrapassado; ou talvez não, talvez acabe por se relacionar com o que enho a dizer.
É que me lembro exactamente da primeira vez que vi este filme; escolhi-o por mero acaso, o que eu queria de facto era qualquer coisa que me retirasse de mim mesma. (Quanto a esse objectivo, foi uma escolha falhada; mas fosse outro o meu estado de espírito e talvez não tivesse sentido a mesma intensidade de emoções.)
Mas o que eu queria perguntar neste post é se de facto estaremos todos condenados a ser anjos caídos, impossibilitados de viver o amor na sua forma mais intensa - pois essa aconteceu sempre no passado.

sábado, novembro 20, 2004

E, se dúvidas houvesse...

quanto ao papel da Ordem dos Arquitectos na sociedade, ficam desfeitas com este pequeno facto: a notícia sobre a reeleição de Helena Roseta como bastonária saiu hoje no Público, numa daquelas "breves" da secção de Cultura. Pois. Estamos conversados quanto ao nosso papel na Sociedade, não estamos?

E quanto à Ordem dos Arquitectos, bom... Acho que me fico por aqui.

sexta-feira, novembro 19, 2004

Pois é, perdemos. 440 votos para a A, 343 para a B, 36 brancos, 3 nulos, o que significa que apenas cerca de 20% dos arqtuitectos a norte votou. O que é que se passa com uma ordem que não consegue mobilizar para uma eleição mais do que 20% dos seus associados, ainda por cima numa altura supostamente tão importante como a da luta pela revogação do 73/73? E destes 80% que não se deram ao trabalho de pôr um boletim de voto no correio, quantos não o fizeram por não terem as cotas em dia? E o que é que tudo isto significa?
Parece-me cada vez mais claro que só quem precisa das certidões para dar entrada de licenciamentos é que paga as cotas. Isto é significativo - e grave. Porque em última análise quer dizer que a ordem não serve para nada, respondendo a uma pergunta que tem sido feita muitas vezes entre nós; e que até a própria bastonária já se fez, em artigo de opinião publicado dois dias antes das eleições no jornal Público. Pelos vistos, não soube bem responder-lhe...

Enfim, acabaram-se as listas. E agora?