segunda-feira, novembro 22, 2004
Somos todos anjos caídos?
Fui rever "Fallen Angels", de Wong Kar-wai; e o filme acabou por me levar a procurar coisas antigas. O resultado é que o tema do "Diário Íntimo" de George Sand ficou ultrapassado; ou talvez não, talvez acabe por se relacionar com o que enho a dizer.
É que me lembro exactamente da primeira vez que vi este filme; escolhi-o por mero acaso, o que eu queria de facto era qualquer coisa que me retirasse de mim mesma. (Quanto a esse objectivo, foi uma escolha falhada; mas fosse outro o meu estado de espírito e talvez não tivesse sentido a mesma intensidade de emoções.)
Mas o que eu queria perguntar neste post é se de facto estaremos todos condenados a ser anjos caídos, impossibilitados de viver o amor na sua forma mais intensa - pois essa aconteceu sempre no passado.
É que me lembro exactamente da primeira vez que vi este filme; escolhi-o por mero acaso, o que eu queria de facto era qualquer coisa que me retirasse de mim mesma. (Quanto a esse objectivo, foi uma escolha falhada; mas fosse outro o meu estado de espírito e talvez não tivesse sentido a mesma intensidade de emoções.)
Mas o que eu queria perguntar neste post é se de facto estaremos todos condenados a ser anjos caídos, impossibilitados de viver o amor na sua forma mais intensa - pois essa aconteceu sempre no passado.
sábado, novembro 20, 2004
E, se dúvidas houvesse...
quanto ao papel da Ordem dos Arquitectos na sociedade, ficam desfeitas com este pequeno facto: a notícia sobre a reeleição de Helena Roseta como bastonária saiu hoje no Público, numa daquelas "breves" da secção de Cultura. Pois. Estamos conversados quanto ao nosso papel na Sociedade, não estamos?
E quanto à Ordem dos Arquitectos, bom... Acho que me fico por aqui.
E quanto à Ordem dos Arquitectos, bom... Acho que me fico por aqui.
sexta-feira, novembro 19, 2004
Pois é, perdemos. 440 votos para a A, 343 para a B, 36 brancos, 3 nulos, o que significa que apenas cerca de 20% dos arqtuitectos a norte votou. O que é que se passa com uma ordem que não consegue mobilizar para uma eleição mais do que 20% dos seus associados, ainda por cima numa altura supostamente tão importante como a da luta pela revogação do 73/73? E destes 80% que não se deram ao trabalho de pôr um boletim de voto no correio, quantos não o fizeram por não terem as cotas em dia? E o que é que tudo isto significa?
Parece-me cada vez mais claro que só quem precisa das certidões para dar entrada de licenciamentos é que paga as cotas. Isto é significativo - e grave. Porque em última análise quer dizer que a ordem não serve para nada, respondendo a uma pergunta que tem sido feita muitas vezes entre nós; e que até a própria bastonária já se fez, em artigo de opinião publicado dois dias antes das eleições no jornal Público. Pelos vistos, não soube bem responder-lhe...
Enfim, acabaram-se as listas. E agora?
Parece-me cada vez mais claro que só quem precisa das certidões para dar entrada de licenciamentos é que paga as cotas. Isto é significativo - e grave. Porque em última análise quer dizer que a ordem não serve para nada, respondendo a uma pergunta que tem sido feita muitas vezes entre nós; e que até a própria bastonária já se fez, em artigo de opinião publicado dois dias antes das eleições no jornal Público. Pelos vistos, não soube bem responder-lhe...
Enfim, acabaram-se as listas. E agora?
quarta-feira, novembro 17, 2004
Como uma noite fria e nada prometedora pode estar cheia de pequenos prazeres
Basta retirá-los do (quase) nada, das fantasias e dos desejos. Por exemplo: se afinal o amigo do cinema me liga a dizer que se vai redimir por me fazer perder o cinema, retirar daí prazer, e não irritação por não o ter afinal encontrado. Por exemplo: se o VP me repete que a minha fotografia é a mais gira, seguido de uma conversa quase incongruente, retirar daí prazer, e não embaraço. Por exemplo: se depois diz a um outro que me falava "Antes tinhas mais jeito", retirar daí prazer, e não ultraje. Por exemplo: olhar quem desejo nos olhos. E sentir: prazer.
terça-feira, novembro 16, 2004
Como é que um gajo pode ser tão idiota que prefira passar uma noite a discutir umas eleições que já estão - com toda a certeza - decididas,
a ir ao cinema com uma amiga?
A resposta é simples: ou o gajo não gosta dela, ou o gajo tem medo dela. Nem sei qual é a melhor opção. De qualquer forma:
HOJE ÀS 21:30 REUNIÃO DE CAMPANHA.
Humpft.
A resposta é simples: ou o gajo não gosta dela, ou o gajo tem medo dela. Nem sei qual é a melhor opção. De qualquer forma:
HOJE ÀS 21:30 REUNIÃO DE CAMPANHA.
Humpft.
segunda-feira, novembro 15, 2004
...a que iludidos escoadouros do sonho assim nos trai a incorrígivel carne...
William Faulkner, Absalão, Absalão!
E tudo isto para voltar ao assunto da semana (há uma semana que é assunto, quando antes simplesmente - não era), porque me pergunto agora a razão de se formarem os desejos, num sítio dentro de nós que primeiro não existia.
O desejo, primeiro, a vontade de seduzir;
onde é que começa afinal o amor?
E tudo isto para voltar ao assunto da semana (há uma semana que é assunto, quando antes simplesmente - não era), porque me pergunto agora a razão de se formarem os desejos, num sítio dentro de nós que primeiro não existia.
O desejo, primeiro, a vontade de seduzir;
onde é que começa afinal o amor?
domingo, novembro 14, 2004
Clumsy me
Muita imaginação dá depois nisto: de tanto fantasiar toda a conversa ao primeiro tropeção estatelo-me nas palavras, tudo o que digo me sai desajeitadamente da boca, perante o meu espanto; fecho os olhos com força, mas já não há nada a fazer, o convite passou a ser bruto e não simples, como quem pergunta se apetece um café.
Imaginar, mas nem tanto, talvez; pelo menos não me imaginar mais sedutora (mais capaz de sedução) do que realmente sou.
E agora, resta esperar, depois do fiasco do telefonema - sem pensar demasiado em terça-feira, no que visto no que digo no que acontecerá - pensar apenas no prazer que daí possa tirar -
Imaginar, mas nem tanto, talvez; pelo menos não me imaginar mais sedutora (mais capaz de sedução) do que realmente sou.
E agora, resta esperar, depois do fiasco do telefonema - sem pensar demasiado em terça-feira, no que visto no que digo no que acontecerá - pensar apenas no prazer que daí possa tirar -
sexta-feira, novembro 12, 2004
mais um ponto cartografado nas minhas emoções:
o desejo que sinto forma-se apenas como um nó
qualquer coisa que se aperta cá dentro ao ouvir o nome, ao saber que está ali tão perto, e eu a imaginar
imaginar imaginar imaginar
poderei fazer qualquer coisa tornar a fantasia mais próxima da realidade
imaginar imaginar imaginar
qualquer coisa que se aperta cá dentro ao ouvir o nome, ao saber que está ali tão perto, e eu a imaginar
imaginar imaginar imaginar
poderei fazer qualquer coisa tornar a fantasia mais próxima da realidade
imaginar imaginar imaginar
Ainda Land of Plenty
Não falei ainda sobre o filme, mas posso dizer que a banda sonora é LINDA. Por favor arranjem-ma. Dão-se alvíssaras.
quinta-feira, novembro 11, 2004
o meu outro moleskine 1
Fui ver Land of Plenty
Há dias, antes deme deitar, vi um bom bocado de As Asas do Desejo, a beleza melancólica desse filme - das palavras que apenas leio, proferidas numa língua que não conheço e que assim se assemelha mais a um sussurro do que a um texto, das imagens a preto e branco (cuja transformação em cor, nas breves passagens da primeira parte do filme, são tão belas como esse mundo monocromático).
Emocionei-me com o percurso na biblioteca (o silêncio dos pensamentos finalmente audível), emocionei-me com o estribilho: a criança quando criança, pergunta: porque é que eu sou eu e não sou tu?
(Acho que foi nessa parte que algo em mim quebrou, talvez a beleza levemente angustiada das palavras de Handke tenha desfeito em mim qualquer coisa, uma barreira, um nó.)
Certo é que durante o dia a angústia parecia afastar-se, parecia estar já ultrapassada
(e se não tiver sido por causa das lágrimas de domingo? e se não tiver sido por isso?)
Há dias, antes deme deitar, vi um bom bocado de As Asas do Desejo, a beleza melancólica desse filme - das palavras que apenas leio, proferidas numa língua que não conheço e que assim se assemelha mais a um sussurro do que a um texto, das imagens a preto e branco (cuja transformação em cor, nas breves passagens da primeira parte do filme, são tão belas como esse mundo monocromático).
Emocionei-me com o percurso na biblioteca (o silêncio dos pensamentos finalmente audível), emocionei-me com o estribilho: a criança quando criança, pergunta: porque é que eu sou eu e não sou tu?
(Acho que foi nessa parte que algo em mim quebrou, talvez a beleza levemente angustiada das palavras de Handke tenha desfeito em mim qualquer coisa, uma barreira, um nó.)
Certo é que durante o dia a angústia parecia afastar-se, parecia estar já ultrapassada
(e se não tiver sido por causa das lágrimas de domingo? e se não tiver sido por isso?)
segunda-feira, novembro 08, 2004
sexta-feira, novembro 05, 2004
Quero lá saber de coisas sérias
há emergências e pronto, e esta caiu-me em cima à meia noite e meia, com os toques da campainha. Três longos e três curtos. E eu imobilizada na cama, eu aterrorizada, acabada de acordar, sem saber o que pensar. Só mais tarde liguei o telemóvel, confirmando que já sabia: ele, era ele lá em baixo, e eu sem forças para abrir. Toda a manhã tentei convencer-me de que tudo estava bem, que não valia a pena fazer fosse o que fosse; mas acabei por não suportar mais e ligar-lhe. A voz mole do outro lado. Eu sem conseguir falar. As mesmas frases repetidas trinta segundos depois. (A conversa vou escrevê-la no meu outro moleskine.)
Desligo o telefone, apesar do sol fico triste, o dia acabado para mim. Quero lutar contra esta sensação de perda - mas perda porquê, porquê, o que poderia ser diferente se ele tivesse entrado? E acabo por perceber que ficaria (ficarei) sempre a perder, quer ele entre quer não. Como sempre não há nada a fazer, só cerrar os dentes e esperar que passe.
Desligo o telefone, apesar do sol fico triste, o dia acabado para mim. Quero lutar contra esta sensação de perda - mas perda porquê, porquê, o que poderia ser diferente se ele tivesse entrado? E acabo por perceber que ficaria (ficarei) sempre a perder, quer ele entre quer não. Como sempre não há nada a fazer, só cerrar os dentes e esperar que passe.
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