quinta-feira, novembro 11, 2004
o meu outro moleskine 1
Fui ver Land of Plenty
Há dias, antes deme deitar, vi um bom bocado de As Asas do Desejo, a beleza melancólica desse filme - das palavras que apenas leio, proferidas numa língua que não conheço e que assim se assemelha mais a um sussurro do que a um texto, das imagens a preto e branco (cuja transformação em cor, nas breves passagens da primeira parte do filme, são tão belas como esse mundo monocromático).
Emocionei-me com o percurso na biblioteca (o silêncio dos pensamentos finalmente audível), emocionei-me com o estribilho: a criança quando criança, pergunta: porque é que eu sou eu e não sou tu?
(Acho que foi nessa parte que algo em mim quebrou, talvez a beleza levemente angustiada das palavras de Handke tenha desfeito em mim qualquer coisa, uma barreira, um nó.)
Certo é que durante o dia a angústia parecia afastar-se, parecia estar já ultrapassada
(e se não tiver sido por causa das lágrimas de domingo? e se não tiver sido por isso?)
Há dias, antes deme deitar, vi um bom bocado de As Asas do Desejo, a beleza melancólica desse filme - das palavras que apenas leio, proferidas numa língua que não conheço e que assim se assemelha mais a um sussurro do que a um texto, das imagens a preto e branco (cuja transformação em cor, nas breves passagens da primeira parte do filme, são tão belas como esse mundo monocromático).
Emocionei-me com o percurso na biblioteca (o silêncio dos pensamentos finalmente audível), emocionei-me com o estribilho: a criança quando criança, pergunta: porque é que eu sou eu e não sou tu?
(Acho que foi nessa parte que algo em mim quebrou, talvez a beleza levemente angustiada das palavras de Handke tenha desfeito em mim qualquer coisa, uma barreira, um nó.)
Certo é que durante o dia a angústia parecia afastar-se, parecia estar já ultrapassada
(e se não tiver sido por causa das lágrimas de domingo? e se não tiver sido por isso?)
segunda-feira, novembro 08, 2004
sexta-feira, novembro 05, 2004
Quero lá saber de coisas sérias
há emergências e pronto, e esta caiu-me em cima à meia noite e meia, com os toques da campainha. Três longos e três curtos. E eu imobilizada na cama, eu aterrorizada, acabada de acordar, sem saber o que pensar. Só mais tarde liguei o telemóvel, confirmando que já sabia: ele, era ele lá em baixo, e eu sem forças para abrir. Toda a manhã tentei convencer-me de que tudo estava bem, que não valia a pena fazer fosse o que fosse; mas acabei por não suportar mais e ligar-lhe. A voz mole do outro lado. Eu sem conseguir falar. As mesmas frases repetidas trinta segundos depois. (A conversa vou escrevê-la no meu outro moleskine.)
Desligo o telefone, apesar do sol fico triste, o dia acabado para mim. Quero lutar contra esta sensação de perda - mas perda porquê, porquê, o que poderia ser diferente se ele tivesse entrado? E acabo por perceber que ficaria (ficarei) sempre a perder, quer ele entre quer não. Como sempre não há nada a fazer, só cerrar os dentes e esperar que passe.
Desligo o telefone, apesar do sol fico triste, o dia acabado para mim. Quero lutar contra esta sensação de perda - mas perda porquê, porquê, o que poderia ser diferente se ele tivesse entrado? E acabo por perceber que ficaria (ficarei) sempre a perder, quer ele entre quer não. Como sempre não há nada a fazer, só cerrar os dentes e esperar que passe.
quinta-feira, novembro 04, 2004
EM BRAGA, VAMOS APRESENTAR A NOSSA CANDIDATURA.
ESTA 2.ª FEIRA, DIA 8, ÀS 21:30, NA ESCOLA PROFISSIONAL DE BRAGA.
A Escola fica perto da feira junto à entrada das traseiras do Parque de Exposições.
A Escola fica perto da feira junto à entrada das traseiras do Parque de Exposições.
Vou começar pela minha contribuição
Foi pedido a cada um dos candidatos que escrevesse um texto para figurar no site da lista. O meu é este:
As propostas que fazem parte do programa da lista B são mais ou menos consensuais, de tal forma que poderá haver quem as acuse de falta de originalidade. Mas todos sabemos que os problemas com que nos deparamos há muito que vêm a ser identificados. Todos sabemos do que precisamos: mais Ordem para fora (para uma maior visibilidade e reconhecimento do nosso papel), mais Ordem para dentro (para um maior apoio à profissão). São vectores fundamentais, deste e de qualquer outro programa.
Qual é a diferença, então? O que é que fecha este triângulo?
Para mim é a questão da PARTICIPAÇÃO. Porque implica desde logo um compromisso da parte das pessoas que compõem a lista; implica transparência de funcionamento; implica disponibilidade; e também, não menos importante, implica o envolvimento de outros para além dos que agora concorrem aos orgãos da Secção Regional Norte. Significa que a Ordem passa a ser assunto de todos nós.
As propostas que fazem parte do programa da lista B são mais ou menos consensuais, de tal forma que poderá haver quem as acuse de falta de originalidade. Mas todos sabemos que os problemas com que nos deparamos há muito que vêm a ser identificados. Todos sabemos do que precisamos: mais Ordem para fora (para uma maior visibilidade e reconhecimento do nosso papel), mais Ordem para dentro (para um maior apoio à profissão). São vectores fundamentais, deste e de qualquer outro programa.
Qual é a diferença, então? O que é que fecha este triângulo?
Para mim é a questão da PARTICIPAÇÃO. Porque implica desde logo um compromisso da parte das pessoas que compõem a lista; implica transparência de funcionamento; implica disponibilidade; e também, não menos importante, implica o envolvimento de outros para além dos que agora concorrem aos orgãos da Secção Regional Norte. Significa que a Ordem passa a ser assunto de todos nós.
Durante as próximas duas semanas...
...vou dedicar-me em exclusivo à campanha da lista B. Nada de falar de filmes, de gajos, de dúvidas. Nem de livros, nem da tese. Céus, no que eu me meti.
quarta-feira, novembro 03, 2004
Mudar mesmo
Em pleno período de campanha para eleições na Ordem dos Arquitectos, contamos espingardas. Aqui temos um blog de divulgação da lista. E aqui está o site da lista B, candidata à Secção Regional do Norte. Esta secção é a única para a qual existem duas listas: tanto a Secção Regional do Sul como o Conselho Directivo Nacional têm apenas uma lista de candidatos. O melhor do debate está a norte.
sexta-feira, outubro 29, 2004
Filmes a ver (lista actualizada)
- Colateral, de Michael Mann
- Terra da Abundância, de Wim Wenders
- Wimbledon (pronto, não vou ver, mas tinha que ter uma desculpa para ter uma fotografia do Paul Bettany durante o fim de semana)
- Terra da Abundância, de Wim Wenders
- Wimbledon (pronto, não vou ver, mas tinha que ter uma desculpa para ter uma fotografia do Paul Bettany durante o fim de semana)
quinta-feira, outubro 28, 2004
...aquelas toilettes não eram um cenário qualquer substituível como se quisesse, mas uma realidade assente e poética como a do tempo que faz, ou como uma luz especial a uma certa hora.
Marcel Proust, A Prisioneira (Em Busca do Tempo Perdido, vol.V)
...o que signifoca que posso deixar-me finalmente de escrúpulos e voltar alegre e justificadamente a ocupar-me de casacos...
Marcel Proust, A Prisioneira (Em Busca do Tempo Perdido, vol.V)
...o que signifoca que posso deixar-me finalmente de escrúpulos e voltar alegre e justificadamente a ocupar-me de casacos...
Ainda sobre Before Sunset
É verdade que o que eu queria mesmo era que ele tivesse perdido o avião; mas também não sei se acredito que, mesmo que ele tenha ficado, a história de ambos não se resuma a uma combinação dos fracassos que já experimentaram. (Queria acreditar que não, que não, que não.) Este não acreditar leva-me a outro (Eu não acredito em ti. Já não acredito em ti. Nunca mais.) - eu não acredito são as palavras exactas que uso quando quero quebrar o laço que me prende a ele. Quando deixei de acreditar num futuro possível - e feliz - para nós os dois, talvez alguma coisa se tenha quebrado dentro de mim, talvez tenha sido eu mesma. Talvez seja isso que eu tenha contra os romantismos - aos quais as lágrimas sempre cedem, contra a minha vontade - talvez isso me faça não acreditar em mais nada. (Eu antes tinha um sonho; e agora, o que é que tenho?) Talvez seja isso que me enfureça quando vejo coragem e - sonho - representados assim à minha frente (não esquecer como achei gratuita toda aquela cena de Ernesto a atravessar o rio apesar de tudo, gratuita e insuportavelmente complacente).
Tenho medo de me ter tornado uma pessoa plana e amarga, sem sonhos, crescida demais, incapaz demais, sem rumo.
(ele ligou naquela tarde em que felizmente estava no cinema, o telemóvel desligado, sinto que lhe fujo e nem sei porquê.)
Tenho medo de me ter tornado uma pessoa plana e amarga, sem sonhos, crescida demais, incapaz demais, sem rumo.
(ele ligou naquela tarde em que felizmente estava no cinema, o telemóvel desligado, sinto que lhe fujo e nem sei porquê.)
terça-feira, outubro 26, 2004
Mais cinema
Ando a retirar filmes da minha lista a uma velocidade estonteante. Ontem fui ver The Motorcycle Diaries (chamo-lhe propositadamente assim, para não colar o ícone de Ernesto Che Guevara às emoções que o filme desperta). O filme é lindo; apesar de nada me ligar à questão da América Latina, a viagem de descoberta é um tema que me toca profundamente... Assim, tentei abstrair-me do Che, o que só me fez voltar a minha atenção para Rodrigo de la Serna, o actor que constrói um Alberto Granado fabuloso, e que não merece ficar escondido a trás da beleza de Gael García Bernal... nem sempre foi possível, no entanto. A cena do atravessamento do rio a nado chegou a irritar-me pela sua auto-complacência. Está bem, está bem, aquilo aconteceu mesmo. Mas que diabo, sem música de fundo. Ou então serão ainda os reflexos da minha melancolia do filme anterior; tendo descoberto que já não sonho, acho patético ver quem sonha. Talvez seja isso, não sei. Mas a isto voltarei mais tarde.
segunda-feira, outubro 25, 2004
Before Sunset
(Mais um filme fora da minha lista...)
Portei-me bem (só chorei um bocadinho, e ninguém viu), não sei se por me descobrir mais cínica do que eu mesma julgava. Talvez tenha dado por mim a ser mais cínica; talvez seja uma romântica a fingir de cínica; talvez uma cínica a querer ser romântica. Não sei. Sei que tive saudades de mim mesma; saudades dele também.
Portei-me bem (só chorei um bocadinho, e ninguém viu), não sei se por me descobrir mais cínica do que eu mesma julgava. Talvez tenha dado por mim a ser mais cínica; talvez seja uma romântica a fingir de cínica; talvez uma cínica a querer ser romântica. Não sei. Sei que tive saudades de mim mesma; saudades dele também.
sexta-feira, outubro 22, 2004
A vida é um milagre
Ontem resolvi aproveitar a minha recente situação de trabalhadora por conta própria (eufemismo mais ou menos disfarçado para o desemprego) para ir ao cinema à tarde. Com o humor com que estava, melhor enfiar-me uma sala escura e viver outra vida. E do topo da minha lista de filmes a ver saiu A Vida é uma Milagre. Estava lá tudo: excesso, música, dança (que saudades da No Smoking Band!), cocaína ao longo das linhas de comboio, uma mula a tentar o suícídio, guerra e amor. E sonho. Luka e Sabaha rolando na terra, a câmara girando sobre o seu abraço. Lágrimas e risos, a vida é um milagre mesmo.
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